domingo, 30 de setembro de 2012

Pesquisa sugere que somente prestamos atenção a quem diz o que já sabemos e cujas opiniões concordamos

Matéria do sítio http://hypescience.com divulga resultados críticos de pesquisa realizada para medir os efeitos dos horários eleitorais gratuitos na TV. A equipe da pesquisadora Zheng Wang, da Universidade Estadual de Ohio (EUA), analisou a reação de quinze estudantes universitários a propagandas eleitorais da campanha para a eleição presidencial de 2008, disputada pelo atual presidente, Barak Obama, e seu concorrente derrotado, McCain.

Cada estudante assistiu a 12 propaganda, 6 de cada candidato, e teve suas reações fisiológicas medidas por aparelhos. Isso significa dizer que se monitoravam coisas como ritmo cardíaco, suor e movimentação dos músculos da face. Ao final, cada sujeito dizia o que achava dos candidatos.

O resultado foi decepcionante para os assessores de políticos, que sempre defendem a participação de seus patrões nos programas eleitorais e ficam cavando todos os espaços possíveis para os incluir nos horários gratuitos da TV. Nada de significativo se percebeu, inclusive nada de marcante no que diz respeito às reações diante dos candidatos não preferidos. Com relação ao programa eleitoral destes, constatou-se que os participantes da pesquisa tenderam a ignorar as propagandas dos candidatos dos quais não gostavam: o ritmo cardíaco desacelerou e praticamente não houve movimentos dos músculos faciais. Ou seja, houve quase absoluta falta de interesse.

A explicação é preocupante para os democratas e humanistas de plantão: segundo Wang, o fato é que tendemos a prestar atenção principalmente a informações que reforcem o que já pensamos, ignorando solenemente tudo o que nos contradiz. Como pensar no engrandecimento humano com tamanho ovo narcísico? Como imaginar uma sociedade democrática na qual somente procuramos os espelhos que nos retornem o que já vimos e sabemos? Diversidade? Ora, desse modo fica ridículo falar nisso. Fica a frase da música “Sampa”, de Caetano Veloso: “Narciso acha feio o que não é espelho”. Risível.

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