sábado, 22 de setembro de 2012

Lula, o puro, o inocente

Não sei do que você está falando, companheiro!
Matéria na Carta Maior desce a ripa na Veja por conta de conhecida matéria da revista na qual o tal Marcos Valério acusa Lula de ser o chefão do esquema do mensalão. Bem, a verdade é que tanto o Valério quanto o seu advogado negam tudo isso e não há registro formal e material desse diálogo no qual aconteceu a acusação. Mas, lembra Marco Aurélio Weissheimer, autor do texto, que alguns colunistas prestigiados pela velha mídia essa suposta mentira foi transformada em verdade inquestionável.

Ok, você venceu, Weissheimer, é difícil trabalhar sobre declarações que são negadas veementemente por seus autores. Mas, cá para nós, observemos o fato em si: você realmente acredita que o caríssimo presidente estava lá, como um boneco de ventríloquo, sem saber de nada, alienado e puro como um recém-chegado ao mundo da política? Então, ele não sabe como funciona o jogo? Logo ele que cresceu e engordou com tanta experiência no ramo?

Como parece claro que havia um esquema de propinas, apelidado de mensalão, será que o bambambam da Nação ficou tão boquiaberto quando soube de tudo? Difícil crer e, ainda assim, crendo, difícil não dizer que o homem é muito incompetente a ponto de tudo isso se passar debaixo de suas barbas?


Talvez o Valério não tenha dito o que dizem que disse, mas tudo leva a crer que Lula não apenas sabia, mas provavelmente aprovava tudo o que aconteceu. Não há provas, é claro, mas há fortes indícios e, no mínimo, nossa inteligência deve se recusar a aceitar que um sujeito que chega a Presidente da República, que conhece bem a vida política com seus velhos e péssimos hábitos, seja tão idiota a ponto de descobrir, de uma hora para outra, que o Valério arrecadava dinheiro em seu nome – ou em nome de alguém muito próximo a si, ou em nome do governo que chefiou – para distribuir aos deputados. Ninguém lhe avisou? Ninguém lhe disse: olha, presidente, tem um tal Valério aí pegando dinheiro em seu nome, em nome do seu governo! Nenhum banqueiro lhe telefonou avisando?

De tudo isso, uma frase atribuída ao Valério ficou na minha cabeça. Ele teria dito que seria impossível que alguém um dia imaginasse que os bancos iriam emprestar milhões à sua falida empresa. Os bancos estariam falando com um emissário do governo de Lula. Sim, Lula, aquele mesmo que não sabia de coisa nenhuma.

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