domingo, 30 de setembro de 2012

Empresários devem estar de saco cheio da malandragem oficial



Saudades do Bezerra, que cantava a malandragem original e verdadeira

Os empresários reclamam, com razão, que a carga de tributos é pesada demais no Brasil. O governo, então, preparou um pacote de incentivos à inciativa privada, no qual há uma redução dessa carga. Até aí, admirável a iniciativa. Mas, como tudo que parece bom por aqui merece ser investigado, a Folha de São Paulo informa que o governo deu com uma mão e tirou com a outra, o que pode significar que o jogo, para as empresas, acabará quase no zero a zero.

A redução dos tributos está prevista num tal plano Brasil Maior, que vai para sanção da presidente no início de outubro e retira encargos da folha de pagamento, estimulando a contratação formal de trabalhadores e procurando tornar nossas empresas mais competitivas em relação às estrangeiras. Aplausos.

Ocorre que, com a desoneração, está prevista uma alíquota de imposto que, em tese, reduziria consideravelmente as despesas com pessoal. Aí que começam os problemas. Até agora há pouco, os empresários comemoravam, mas durante a tramitação do plano, houve uma transformação no conceito de renda bruta que reduz consideravelmente, quase zera, as vantagens antes previstas.

É que, segundo a matéria, a empresa deixaria de recolher os 20% da contribuição previdenciária em troca de um pagamento de algo em torno de 1 ou 2% sobre o faturamento da empresa. E, de repente, surgiu no texto do plano uma alteração na definição de receita bruta, montante sobre o qual incidirá a nova alíquota, incluindo nele receitas financeiras, de aluguéis, de alienação de bens e imóveis e até mesmo venda de ações. Os empresários dizem que isso põe por terra toda a boa iniciativa do tal plano Brasil Maior.

A iniciativa da alteração é da Receita Federal. Precisa dizer mais algo?

Precisamos de bons exemplos, não de aulas de malandragem

Tenho sido muito crítico com relação a empresas e empresários nos últimos anos. Tenho obtido exemplos ao longo da minha vida que me permitem até mesmo solicitar a equiparação do conceito de empresário com o de chefe de quadrilha, pois que a gana de enganar e tungar o cliente é tão grande que as funções chegam a se assemelhar demasiadamente. No entanto, pelo exposto, sou obrigado a admitir que o governo não fica atrás nessa, ao menos pelo lido na matéria da Folha.

Precisamos de bons exemplos éticos, boas referências de comportamento e de atitudes dignas, não de aulas de malandragem. E mudar o texto no meio do caminho, como se costuma dizer, “na surdina”, não é um bom exemplo ético, muito menos uma referência digna de nota.

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