sábado, 22 de setembro de 2012

Empresários de todo o mundo, uni-vos contra os “colaboradores”


Má notícia para empresários espertos (cheios de expertise em tirar o sangue de seus “colaboradores”): o TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu que funcionário que fica à disposição do empregador, fora do horário de expediente, com um telefone celular, deve receber remuneração por esse extra. Um bancário de Curitiba entrou na justiça e ganhou a parada em cima do HSBC.

Segundo informações colhidas, é a segunda vez que a justiça dá razão ao funcionário (colaborador é a mãe) por um caso como o citado. Se o patrão quer faturar o dia todo em cima do assalariado, que pague por isso. Afinal, a revisão da CLT deixou menos clara a diferença entre trabalhar dentro das dependências da empresa e fora dela. Com as novidades tecnológicas da área de informação, isso ficou meio confuso mesmo. Você pode ser explorado pelo patrão na empresa, mas também pode sê-lo em casa ou em qualquer outro lugar. Basta um telefone celular, um laptop ou qualquer outro aparelho diabólico desses.

Conversei, há pouco mais de um ano, com uma jornalista. Ela me disse que, com a internet, sua vida virou um inferno, pois acabava ficando à disposição do jornal o dia todo. Cumpria cinco horas na redação e dezenove fora dela. Isso sem contar com o telefone móvel, que permite que o patrão te ache até mesmo no banheiro ou na alcova.


Pior que um dos ministros do TST, Ives Gandra, votou contra o bancário e disse: "Se você considerar como tempo de trabalho o acesso a aparelhos que surgiram depois da era da informática, pode contar as 24 horas como trabalhadas". E não é? Se ele mesmo reconhece, por que bancar o espírito de porco?

As informações que fundamentaram este texto saíram de matéria do jornal Folha de São Paulo, na qual há uma informação importante: “Funcionários que recebem smartphones têm que assinar contratos que afirmam que e-mails só precisam ser respondidos fora da jornada comercial se a hora extra for autorizada pelo chefe”. Vale saber disso, embora no charmoso mundo corporativo geralmente o “colaborador” acabe se curvando ao charme do chefe, por questões óbvias de sobrevivência no emprego.

Outro dia, aliás, encontrei um amigo com o seu “simpático” chefe numa lanchonete. Orgulhoso, este me disse que sua empresa é diferente e citou que lá há uma quadra de basquetebol para o “colaborador” (patrão tem mania de chamar funcionário de colaborador, como se este estivesse lá, por livre e espontânea vontade, colaborando com um projeto ou um ideal; ê gente cínica). Tive que lembrá-lo que também há quadras esportivas nas penitenciárias e senti que ele não gostou. Um mês depois, cruzo com ele, que me olha e vira a cara de pau. Tive certeza que ele não gostou. A verdade dói.

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