domingo, 30 de setembro de 2012

Crescer demais não é bom negócio


Basta ser economista para falar de crescimento. Nunca vi gente tão preocupada com crescer do que essa. Tem também os pediatras, que ficam obsessivamente controlando o quanto uma criança espichou desde a última consulta, mas creio que, fora exageros, essa atitude é bem mais compreensível e saudável. Economista, porém, não está preocupado se alguém ficou mais alto ou mais gordo, ou seja, se cresceu vertical ou horizontalmente. A preocupação dele com crescimento está relacionada a se uma economia ficou mais cheia de capital, se há mais indústrias, empresas diversas, se salários valorizaram, se o consumo está maior, se o Produto Interno Bruto ganhou algum número percentual. Ora, mas por que isso é importante? Sinceramente, não sei.

Digo que não sei, mas entendo o argumento dos economistas. Eles dizem que crescer é proporcionar perspectivas de melhoria de vida para todos. Avançar a economia, diga-se avolumá-la, é interpretado por eles como fundamental para o enriquecimento geral e alguns chegam a dizer que depende do crescimento a distribuição de renda. Na minha percepção, acreditar nisso corresponde a passar a noite do dia 24 para 25 de dezembro do lado do pinheirinho de Natal esperando Papai Noel.
  O que acontece é exatamente o contrário. A economia precisa crescer não para distribuir renda, mas para concentrá-la cada vez mais. Pelo menos, é claramente isso que acontece. A economia capitalista vive da acumulação e, embora possa admitir desconcentração, acaba, quase que naturalmente, no rumo consciente e constante da concentração de riquezas. Simplesmente, se você tem capital, vai usá-lo para atrair mais capital e, assim, o multiplicará, se tudo correr bem, na mesma medida da quantidade de capital que usou originalmente para fazê-lo crescer. Em outros termos, se você tem um milhão de capital e não fizer besteiras, se seguir as regras básicas, terá um aumento de capital bem maior do que o sujeito que tem, digamos, dez mil ou mesmo cem mil. Isso, pensando tanto no plano produtivo como no especulativo, em qualquer moeda, embora, é claro, possa haver exceções.

Entendo que se crescer é, em tese, bom, não parar de crescer é ruim, bem ruim. Faça a correspondência com uma pessoa. Ela cresce até um ponto, até uma idade. Se continuar depois disso, imagine o que acontecerá. Se estamos falando de crescimento horizontal, uma engorda, o caso é mais grave ainda. Soube de um menino que conheci, há muito tempo, gordinho. Ele cresceu para cima e para os lados, ficou gordão. Para cima, com o limite natural, para os lados, sem qualquer limite. Morreu por conta desse crescimento e, para tirar seu corpo da cama de sua casa, foi preciso um guindaste. É um bom exemplo figurativo para ilustrar o quanto é preciso impor limites ao crescimento.

Mude o ângulo e traga esse crescimento desaconselhável para a economia. Até certo ponto, é bom crescer, parece claro. Mas, depois desse ponto, é patológico, ruim. Veja a sociedade que te envolve e abriga, a de consumo. Nela, é preciso crescer, crescer e crescer, o que significa consumir, consumir e consumir. Você consome, a economia movimenta mais dinheiro e cresce. Veja que o Lula, quando era presidente, usou um bom tempo na televisão, há alguns anos, para implorar à população que não parasse de consumir, bem no momento em que os economistas diziam que era preciso continuar crescendo quando havia uma grave crise mundial motivada exatamente pelo crescimento desmedido e ganancioso.

A economia cresce, aumenta o lixo, do mesmo modo que se você cresce demais para os lados aumenta a merda que você faz. Pense nisso e não cresça além do necessário. Além disso, se puder, tente convencer outras pessoas que crescer além do necessário não é bom negócio. Nem que estejamos falando em contas bancárias ou conteúdos de cofres. Tudo tem limite, lembre-se. Além desse limite, teremos que começar a falar em crescimento destrutivo. E isso, pode ter certeza, não é nada bom.

Nenhum comentário:

Postar um comentário