quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A concentração de riquezas, as elites revoltadas e a doença como fonte de lucro


Na mesma linha do raciocínio que fundamentou o artigo anterior (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2012/09/pela-pena-capital-para-banqueiros.html), cabe pensar na concentração da riqueza nos últimos anos. Um sujeito esperto da área de saúde lembra, com base numa tabela de informações confiáveis, que os hospitais menores estão falindo e os grandes prosperando cada vez mais. Isso, parece claro, não acontece apenas na Saúde. Acontece em todos os ramos.

Desde o estabelecimento do golpe neoliberal, iniciado em 1979 na Inglaterra da Sra. Tatcher e continuado nos Estados Unidos do Sr. Reagan (Não esquecer que o golpe foi ensaiado no Chile, em 1973), as pequenas iniciativas foram literalmente sufocadas pelo grande capital. Christropher Lasch chegou a publicar um livro chamado “A revolta das elites”, falando justamente que as elites econômicas começaram a fechar o cerco sobre o resto do mundo depois dos “anos de ouro” que duraram do New Deal (o estabelecimento da lógica keynesiana na economia mundial) até o neoliberalismo britânico/estadunidense. Tudo indica que, durante essa era dourada houve, em primeiro lugar, a salvação do capitalismo, ameaçado pela loucura neoliberal que levou à crise dos anos 1930, e, da mesma forma, uma distribuição de renda jamais vista na história da supremacia do capital (Embora seja importante citar que é algo irresponsável falar rapidamente desses dois fatores, até porque há quem proponha pensar que a crise citada foi produzida apenas para facilitar uma concentração de renda estratégica para aquele momento).


O fato é que, na era neoliberal, os ricos resolveram enxugar as riquezas com mais voracidade do que já faziam antes. O resultado é uma baixa qualidade de vida para todos, provavelmente inclusive para essas elites, mas não é possível dizer isso com absoluta certeza sem medir exatamente o que esse pessoal endinheirado considera como qualidade de vida. Para nós, que não estamos nessa classe, com certeza esse período foi bem mais difícil do que os anteriores e a nossa qualidade de vida, no que depende de recursos econômicos, ficou, de forma geral, no prejuízo.

A maior parte de nós, porém, não pensa muito nisso, simplesmente por dois motivos básicos, característicos de dois grupos específicos: um, porque não tem tempo para tal; dois, porque não quer nem saber disso, quer apenas se dar bem, acreditando que isso é possível nas atuais circunstâncias. Os do primeiro grupo sofrem sem bem saber por quê. Os do segundo deveriam saber por que sofrem, mas não querem pensar no assunto, pois são tão filhos da puta quanto as elites que os oprimem, o que os faz pensar que podem chegar a fazer parte delas por merecimento. Os primeiros vão para o matadouro alienadamente, enquanto os segundos pagam caro para isso. Irônico, não é?

Pessoas saudáveis não são lucrativas

Outro problema grave, ainda relacionado à falência dos hospitais pequenos e prosperidade dos grandes, está relacionado à complexidade dos procedimentos. Os pequenos falem porque não realizam procedimentos complexos, enquanto os grandes realizam. O problema é que nem sempre são necessários procedimentos complexos, pelo contrário. Deduza: se os tais procedimentos complexos geram lucro, então os hospitais priorizam esses procedimentos, que não devem ser comuns, pois devem ser utilizados em casos específicos e são eminentemente curativas. Daí se entende que um sistema de saúde no qual se prioriza os procedimentos complexos, não é um sistema de saúde, mas de doença: mais precisamente de promoção de doenças, não de promoção de saúde. O lucro precisa de doenças. Pessoas saudáveis não dão lucro.

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