domingo, 30 de setembro de 2012

Pesquisa sugere que somente prestamos atenção a quem diz o que já sabemos e cujas opiniões concordamos

Matéria do sítio http://hypescience.com divulga resultados críticos de pesquisa realizada para medir os efeitos dos horários eleitorais gratuitos na TV. A equipe da pesquisadora Zheng Wang, da Universidade Estadual de Ohio (EUA), analisou a reação de quinze estudantes universitários a propagandas eleitorais da campanha para a eleição presidencial de 2008, disputada pelo atual presidente, Barak Obama, e seu concorrente derrotado, McCain.

Cada estudante assistiu a 12 propaganda, 6 de cada candidato, e teve suas reações fisiológicas medidas por aparelhos. Isso significa dizer que se monitoravam coisas como ritmo cardíaco, suor e movimentação dos músculos da face. Ao final, cada sujeito dizia o que achava dos candidatos.

O resultado foi decepcionante para os assessores de políticos, que sempre defendem a participação de seus patrões nos programas eleitorais e ficam cavando todos os espaços possíveis para os incluir nos horários gratuitos da TV. Nada de significativo se percebeu, inclusive nada de marcante no que diz respeito às reações diante dos candidatos não preferidos. Com relação ao programa eleitoral destes, constatou-se que os participantes da pesquisa tenderam a ignorar as propagandas dos candidatos dos quais não gostavam: o ritmo cardíaco desacelerou e praticamente não houve movimentos dos músculos faciais. Ou seja, houve quase absoluta falta de interesse.

A explicação é preocupante para os democratas e humanistas de plantão: segundo Wang, o fato é que tendemos a prestar atenção principalmente a informações que reforcem o que já pensamos, ignorando solenemente tudo o que nos contradiz. Como pensar no engrandecimento humano com tamanho ovo narcísico? Como imaginar uma sociedade democrática na qual somente procuramos os espelhos que nos retornem o que já vimos e sabemos? Diversidade? Ora, desse modo fica ridículo falar nisso. Fica a frase da música “Sampa”, de Caetano Veloso: “Narciso acha feio o que não é espelho”. Risível.

Empresários devem estar de saco cheio da malandragem oficial



Saudades do Bezerra, que cantava a malandragem original e verdadeira

Os empresários reclamam, com razão, que a carga de tributos é pesada demais no Brasil. O governo, então, preparou um pacote de incentivos à inciativa privada, no qual há uma redução dessa carga. Até aí, admirável a iniciativa. Mas, como tudo que parece bom por aqui merece ser investigado, a Folha de São Paulo informa que o governo deu com uma mão e tirou com a outra, o que pode significar que o jogo, para as empresas, acabará quase no zero a zero.

A redução dos tributos está prevista num tal plano Brasil Maior, que vai para sanção da presidente no início de outubro e retira encargos da folha de pagamento, estimulando a contratação formal de trabalhadores e procurando tornar nossas empresas mais competitivas em relação às estrangeiras. Aplausos.

Ocorre que, com a desoneração, está prevista uma alíquota de imposto que, em tese, reduziria consideravelmente as despesas com pessoal. Aí que começam os problemas. Até agora há pouco, os empresários comemoravam, mas durante a tramitação do plano, houve uma transformação no conceito de renda bruta que reduz consideravelmente, quase zera, as vantagens antes previstas.

É que, segundo a matéria, a empresa deixaria de recolher os 20% da contribuição previdenciária em troca de um pagamento de algo em torno de 1 ou 2% sobre o faturamento da empresa. E, de repente, surgiu no texto do plano uma alteração na definição de receita bruta, montante sobre o qual incidirá a nova alíquota, incluindo nele receitas financeiras, de aluguéis, de alienação de bens e imóveis e até mesmo venda de ações. Os empresários dizem que isso põe por terra toda a boa iniciativa do tal plano Brasil Maior.

A iniciativa da alteração é da Receita Federal. Precisa dizer mais algo?

Precisamos de bons exemplos, não de aulas de malandragem

Tenho sido muito crítico com relação a empresas e empresários nos últimos anos. Tenho obtido exemplos ao longo da minha vida que me permitem até mesmo solicitar a equiparação do conceito de empresário com o de chefe de quadrilha, pois que a gana de enganar e tungar o cliente é tão grande que as funções chegam a se assemelhar demasiadamente. No entanto, pelo exposto, sou obrigado a admitir que o governo não fica atrás nessa, ao menos pelo lido na matéria da Folha.

Precisamos de bons exemplos éticos, boas referências de comportamento e de atitudes dignas, não de aulas de malandragem. E mudar o texto no meio do caminho, como se costuma dizer, “na surdina”, não é um bom exemplo ético, muito menos uma referência digna de nota.

Crescer demais não é bom negócio


Basta ser economista para falar de crescimento. Nunca vi gente tão preocupada com crescer do que essa. Tem também os pediatras, que ficam obsessivamente controlando o quanto uma criança espichou desde a última consulta, mas creio que, fora exageros, essa atitude é bem mais compreensível e saudável. Economista, porém, não está preocupado se alguém ficou mais alto ou mais gordo, ou seja, se cresceu vertical ou horizontalmente. A preocupação dele com crescimento está relacionada a se uma economia ficou mais cheia de capital, se há mais indústrias, empresas diversas, se salários valorizaram, se o consumo está maior, se o Produto Interno Bruto ganhou algum número percentual. Ora, mas por que isso é importante? Sinceramente, não sei.

Digo que não sei, mas entendo o argumento dos economistas. Eles dizem que crescer é proporcionar perspectivas de melhoria de vida para todos. Avançar a economia, diga-se avolumá-la, é interpretado por eles como fundamental para o enriquecimento geral e alguns chegam a dizer que depende do crescimento a distribuição de renda. Na minha percepção, acreditar nisso corresponde a passar a noite do dia 24 para 25 de dezembro do lado do pinheirinho de Natal esperando Papai Noel.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Legalismo, a outra face do oportunismo


Eu, como você, tenho a oportunidade de lidar com inúmeros típicos cidadãos amantes da lei, obsessivamente ordeiros e conscientes de suas obrigações, deveres e direitos. Isso, na conversa, é claro. Na prática, as coisas não funcionam bem assim, muito pelo contrário. Chamo genericamente essas pessoas de “legalistas”, uma espécie de praga que se estende a aparentemente todos os recantos do planeta ou mesmo do Universo. O mais preocupante é que a quantidade de legalistas por metro quadrado é assustadora por aí.

Quero dizer que compreendo o legalista como um malandro essencial, uma praga. Vive apontando caminhos ditados pela letra fria da lei, mas, via de regra, não os segue e, se puder, permite e mesmo incentiva que seus entes queridos também não o façam. A lei, na verdade, parece ter essa função, tanto que é corrente no meio político a expressão: aos amigos tudo; aos inimigos o rigor da lei.

No serviço público, pululam os legalistas. Aliás, a situação peculiar de um órgão público é favorável à disseminação dessa patologia de caráter. Dizia um cartaz numa sala na qual trabalhei: a empresa privada faz o que a lei não proíbe; a pública faz apenas o que a lei determina. Num ambiente desses, é claro que os legalistas se multiplicam. Trata-se, em alguns casos e em algumas situações, de questão de sobrevivência.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Senadores não pagam IR? Você paga por eles


Mas não é que os senadores não descontaram o imposto de renda na fonte por cinco anos! Nenhum senador pagou! A Receita Federal, famosa por sua voracidade em depenar o cidadão, parece ter aliviado a vida dos coitados dos parlamentares do chamado “alto clero”, conforme se costuma chamá-los “nas internas”. Aliviou, mas, de repente, se arrependeu e está cobrando os atrasados, resta saber se com os altos juros característicos e a multa sangrenta, como costuma fazer conosco, simples mortais. Mas, um senador é um simples mortal? Ah, antes que esqueça: os descontos não foram feitos sobre os 14º e 15º salários. Sobre o resto, os outros treze salários, houve desconto. Mas, só para esclarecer, você tem isso de dois salários a mais por ano? Eu, não tenho. Nunca tive.

A Receita cobra os senadores, mas é o Senado quem paga. Ocorre que a direção da casa afirma que a falha não foi dos senadores, mas do próprio Senado, que não lançou os descontos em folha. Então, você e eu, seu pai, sua tia, seu vizinho e o feirante da esquina é que vamos pagar. Isso se nenhuma dessas pessoas citadas for senador, é claro.

Presidente do Conselho de Ética da Presidência se demite, mas não parece claro o porquê


Leio matéria da Folha de São Paulo na qual sou informado que o presidente da Comissão de Ética da Presidência da República renunciou ao cargo. Isso logo no título. Ao ler, penso: mas, logo o cara da ética! Fico imaginando, é claro, que se o sujeito responsável pela fiscalização ética do governo se demite, pode ser sinal que as coisas estão tensas e um tanto feias nas hostes governistas. Ética, todos sabemos, é algo que não anda por aí dando em árvores e todos gostaríamos que, principalmente, o governo primasse por procedimentos éticos. O nome do demissionário é Sepúlveda Pertence, um homem público com história: foi até presidente da Suprema Corte brasileira, o STF.

Logo fico sabendo que o motivo foi a negativa, por parte da presidente Dilma Rousseff, de reconduzir ao cargo dois membros do conselho. São eles Marília Muricy e Fábio de Sousa Coutinho. A revolta de Pertence parece, na matéria, está vinculada a esse fato representar algo inédito. Até parece que o jurista não consegue lidar bem com ineditismos, o que pode fazer um desprevenido beócio pensar que o sujeito se enquadra entre aquelas pessoas que temem o desconhecido etc. Ou, parece plausível, pode fazer outros pensar: ele se sentiu desprestigiado, pois indicou os dois membros rejeitados pela decisão presidencial. Ele mesmo disse, na matéria: "Lamento a não recondução, que, ao que me parece, é um fato inédito na história da comissão, dos dois nomes que eu tive a honra de indicar".

Ecologia sem revolução cultural é fantasia, diz antropólogo


Obra de Hélio Nomura 
Há um interessante debate nascendo. Finalmente está se falando seriamente das questões ambientais, não necessariamente com aquele discurso babão que caracterizou e caracteriza os chamados “ecochatos” (aquele tipo de gente que oculta suas dificuldades pessoais e seus compromissos poluentes sob a bandeira de luta ecológica e repete, dia após dia, a cantilena da preservação ambiental, quando, na verdade, não consegue preservar sequer o bom senso e despoluir a própria consciência). Em entrevista concedida a Júlia Magalhães, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro bota o dedo na ferida dos já citados chatos ecológicos e vai mais fundo, apontando o polegar acusador para o chamado “capitalismo verde”, que fala muito de meio ambiente, com o objetivo de fazer uma boa imagem para a plateia, mas que, na prática, quer que as árvores, passarinhos, tartarugas, baleias e, principalmente, os humanos, se lixem. O importante para o empresário dessa facção é, como sempre, lucrar. E só.

Segundo Viveiros de Castro, “(...) as corporações não são capazes de ir além do “capitalismo verde”, fingindo responsabilidade social e ambiental”. E é verdade. Você já imaginou como se conjuga lucro e preservação ambiental numa sociedade na qual o capitalismo é essencialmente selvagem, não dando sequer espaço de pensamento ou respiração para quem dela participa? É possível que o empresário até seja bem intencionado, consciente etc., mas, na prática, no cotidiano neurótico proporcionado pelos pesadelos com a concorrência e pela necessidade de conquistar metas cada vez mais exigentes, torna-se um predador nato. Além do mais, uma sociedade dita de consumo não pode, em hipótese nenhuma, preservar algo: tudo tem que cair no liquidificador das compras e vendas desenfreadas, com a circulação predominante de produtos belos, inúteis e, não raro, nocivos à saúde e à vida. Vamos falar de ecologia nesse ambiente? Me poupe.

sábado, 22 de setembro de 2012

Lula, o puro, o inocente

Não sei do que você está falando, companheiro!
Matéria na Carta Maior desce a ripa na Veja por conta de conhecida matéria da revista na qual o tal Marcos Valério acusa Lula de ser o chefão do esquema do mensalão. Bem, a verdade é que tanto o Valério quanto o seu advogado negam tudo isso e não há registro formal e material desse diálogo no qual aconteceu a acusação. Mas, lembra Marco Aurélio Weissheimer, autor do texto, que alguns colunistas prestigiados pela velha mídia essa suposta mentira foi transformada em verdade inquestionável.

Ok, você venceu, Weissheimer, é difícil trabalhar sobre declarações que são negadas veementemente por seus autores. Mas, cá para nós, observemos o fato em si: você realmente acredita que o caríssimo presidente estava lá, como um boneco de ventríloquo, sem saber de nada, alienado e puro como um recém-chegado ao mundo da política? Então, ele não sabe como funciona o jogo? Logo ele que cresceu e engordou com tanta experiência no ramo?

Como parece claro que havia um esquema de propinas, apelidado de mensalão, será que o bambambam da Nação ficou tão boquiaberto quando soube de tudo? Difícil crer e, ainda assim, crendo, difícil não dizer que o homem é muito incompetente a ponto de tudo isso se passar debaixo de suas barbas?

Mentiras, nós vos amamos



Mas, até tu, salvador?
 Um candidato a prefeito de Curitiba exibiu vídeo no qual carros e servidores públicos são flagrados com material de campanha de um determinado candidato (o atual prefeito da cidade). O carro era uma Kombi da prefeitura, com direito a adesivo de identificação na porta, que carregava bandeiras e também funcionários da prefeitura, que deveriam agitá-las durante o horário de almoço. Um desses servidores, uma servidora, aliás, declarou que é obrigada a fazer campanha para o bom moço que é prefeito e foi vice do atual governador do Paraná, que também foi prefeito da capital e que, dizem, quando se elegeu prefeito pela segunda vez, jurou ficar até o final do mandato. Não ficou.

Ora, ok, isso se chama uso da máquina pública e, pelo que já observei, acontece em todas as eleições, não apenas em Curitiba ou no Paraná. Mas, não sei bem o porquê, em todas as eleições a oposição acusa a situação de uso da máquina pública, como se isso fosse novidade e como se, caso eleita, a oposição não fosse fazer a mesma coisa na próxima eleição. E, pior, vejo gente indignada porque o tal candidato está usando a máquina pública, quando isso é óbvio e, com boa probabilidade, essa gente indignada faria coisa semelhante na mesma situação.

É engraçado esse jogo de disse-não-disse, de faça o que digo, mas não o que faço. Parece que vivemos fingindo ser a realidade coisa totalmente diferente do que é, que as coisas funcionam de um modo ideal e perfeito, enquanto funcionam do modo mais imperfeito possível. Tudo indica que isso faz parte de uma forma de vida caracterizada pelo “jogar para a plateia”, isto é, se fazer de bom moço (ou boa moça), quando, na intimidade, sua moral não valha um tostão furado.

Empresários de todo o mundo, uni-vos contra os “colaboradores”


Má notícia para empresários espertos (cheios de expertise em tirar o sangue de seus “colaboradores”): o TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu que funcionário que fica à disposição do empregador, fora do horário de expediente, com um telefone celular, deve receber remuneração por esse extra. Um bancário de Curitiba entrou na justiça e ganhou a parada em cima do HSBC.

Segundo informações colhidas, é a segunda vez que a justiça dá razão ao funcionário (colaborador é a mãe) por um caso como o citado. Se o patrão quer faturar o dia todo em cima do assalariado, que pague por isso. Afinal, a revisão da CLT deixou menos clara a diferença entre trabalhar dentro das dependências da empresa e fora dela. Com as novidades tecnológicas da área de informação, isso ficou meio confuso mesmo. Você pode ser explorado pelo patrão na empresa, mas também pode sê-lo em casa ou em qualquer outro lugar. Basta um telefone celular, um laptop ou qualquer outro aparelho diabólico desses.

Conversei, há pouco mais de um ano, com uma jornalista. Ela me disse que, com a internet, sua vida virou um inferno, pois acabava ficando à disposição do jornal o dia todo. Cumpria cinco horas na redação e dezenove fora dela. Isso sem contar com o telefone móvel, que permite que o patrão te ache até mesmo no banheiro ou na alcova.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A concentração de riquezas, as elites revoltadas e a doença como fonte de lucro


Na mesma linha do raciocínio que fundamentou o artigo anterior (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2012/09/pela-pena-capital-para-banqueiros.html), cabe pensar na concentração da riqueza nos últimos anos. Um sujeito esperto da área de saúde lembra, com base numa tabela de informações confiáveis, que os hospitais menores estão falindo e os grandes prosperando cada vez mais. Isso, parece claro, não acontece apenas na Saúde. Acontece em todos os ramos.

Desde o estabelecimento do golpe neoliberal, iniciado em 1979 na Inglaterra da Sra. Tatcher e continuado nos Estados Unidos do Sr. Reagan (Não esquecer que o golpe foi ensaiado no Chile, em 1973), as pequenas iniciativas foram literalmente sufocadas pelo grande capital. Christropher Lasch chegou a publicar um livro chamado “A revolta das elites”, falando justamente que as elites econômicas começaram a fechar o cerco sobre o resto do mundo depois dos “anos de ouro” que duraram do New Deal (o estabelecimento da lógica keynesiana na economia mundial) até o neoliberalismo britânico/estadunidense. Tudo indica que, durante essa era dourada houve, em primeiro lugar, a salvação do capitalismo, ameaçado pela loucura neoliberal que levou à crise dos anos 1930, e, da mesma forma, uma distribuição de renda jamais vista na história da supremacia do capital (Embora seja importante citar que é algo irresponsável falar rapidamente desses dois fatores, até porque há quem proponha pensar que a crise citada foi produzida apenas para facilitar uma concentração de renda estratégica para aquele momento).

Pela pena capital para banqueiros corruptores e políticos corrompidos


Fico sabendo que o arquivo DBF, um arquivo de base de dados, é dos mais antigos que existem. Data ainda dos anos 1980, quando falar sobre um computador, para a maioria de nós, era como falar de algo como uma tábua de hieróglifos. No entanto, toda a estrutura da saúde brasileira trabalha com esses arquivos. Diz um especialista que isso ocorre porque não há muitos recursos para a saúde. Veja, estou dizendo exatamente isso: não há recursos para a Saúde. Mas, diz ele, há recursos para a arrecadação de impostos, muitos recursos. Há bons computadores e programas de ponta para melhor arrecadar e detectar os sonegadores. Na Receita Federal não se usa apenas arquivos DBF. Ora, deduzo, se há recursos para isto, então deve haver uma boa arrecadação, uma excelente arrecadação. E a matéria que deu origem a meu texto PT, Partido dos Trabalhadores ou POT, Partido que Odeia os Trabalhadores? (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2012/09/pt-partido-dos-trabalhadores-ou-pot.html) afirma exatamente isso. Mas, tudo indica que essa fantástica arrecadação não vai para a saúde, ou a esmagadora maior parte não vai.

Para onde vai o dinheiro arrecadado?

Quase metade vai para banqueiros, pode acreditar. Quando digo quase metade, não exagero. Isso significa dizer que tudo aquilo que você não pode ter, toda a vida que você não pode dar a seu filho e/ou filha, todos os presentes que você gostaria de dar a quem você ama, tudo isso não é possível porque os recursos para isso vão para agiotas, os banqueiros. Isso, para pagar uma dívida que você não fez. Juros que você não contratou com gente que você nunca vai conhecer.

O dinheiro que te falta para cuidar de si está com eles. Quando teu filho ou filha pede algo que você não pode dar por falta de dinheiro, é porque eles estão com o dinheiro. O dinheiro da dívida que você nem conhece quem fez. Os recursos financeiros que você não tem para gerar mais recursos financeiros e poder melhorar a sua vida, eles sabem usar muito bem, mas não a favor de ninguém mais do que eles próprios.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

PT, Partido dos Trabalhadores ou POT, Partido que Odeia os Trabalhadores?



Pergunta: Quem paga mais Imposto de Renda?
Resposta: Você, trabalhador.
 Há tempos que tem se clamado contra a taxação absurda que o Imposto de Renda impõe sobre boa parte da população, essa camada extensa e larga que se conhece genericamente por “classe média”. Pois o jornal Valor Econômico publicou recentemente matéria que fala exatamente sobre isso. E o quadro é assustador, bem pior do que se pensava.

Diz a matéria que, “Segundo levantamento realizado pela consultoria Ernst & Young Terco, se os valores da tabela tivessem sido corrigidos de acordo com a inflação entre 1998 e 2011, uma pessoa com salário base de R$ 4.465 pagaria hoje 44% menos de Imposto de Renda. A gula do Leão é tão grande que, nesses 13 anos, o total de tributos pagos pelos trabalhadores aumentou 369,8%, passando de R$ 14,6 bilhões para R$ 68,8 bilhões em termos absolutos. Quando descontada a inflação do período, de 134,2%, o salto no IR sobre a renda do trabalho foi de 100,6%”. Pois é, isso é um acinte.

O mais interessante, ainda segundo o jornal, é que, com isso, o poder de compra cai e a economia emperra. A conta, como sempre, cai sobre quem trabalha, nunca sobre quem especula. Ora, o governo do PT está aí há dez anos e a situação somente piorou nesse tempo. Em outras palavras, se os salários tiveram ganhos, o imposto come tudo. Isso significa que o governo brasileiro odeia a população trabalhadora. Mas o governo não está nas mãos do Partido dos Trabalhadores? Quem sabe não se deva incluir entre o P e o T do PT o verbo “Odeia”: falamos, então, do “Partido que Odeia os Trabalhadores”.

Isso é a tal Esquerda? O que é isso companheiros!?


Leio matéria da Folha de São Paulo na qual sou informado que “um projeto de lei foi alterado propositalmente para influenciar o julgamento do mensalão e beneficiar alguns dos réus”. A informação não partiu de um fofoqueiro ou de uma fonte secreta. Quem disse foi Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Todos sabemos que se uma figura pública como essa diz alguma coisa deve ter provas, pois dar declarações irresponsáveis não é recomendável nesses casos.

Britto afirma que se trata de "um atentado veemente, desabrido, escancarado" à Constituição e refere-se à Lei 12.232, sancionada, em 2010, pelo então presidente Lula. A tal lei trata da contratação de publicidade por órgãos públicos e, segundo a matéria, “durante sua tramitação na Câmara foi alterado por deputados do PT e do PR, partidos que têm membros entre os réus”. O ministro do STF mostra não ter papas na língua e sentencia que isso aconteceu para legitimar as ações pelas quais os réus estão sendo acusados no julgamento. Que feio.

A Lei 12.232/2010 regulava, em seu projeto, os repasses do "bônus-volume", comissões que as empresas de comunicação oferecem às agências pelos anúncios veiculados para, é claro, incentivá-las a anunciar novamente nos mesmos veículos. A lei teve origem em um projeto apresentado pelo ex-deputado e hoje ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que é do Partido dos Trabalhadores (PT). Isso em 2008.

sábado, 1 de setembro de 2012

Seguridade Social e…, por Maria Lucia Fatorelli

18/11/2010


Maria Lucia Fatorelli

Uma das mais importantes conquistas sociais alcançadas com a Constituição Federal de 1988 foi a institucionalização da Seguridade Social, organizada com base no tripé formado pelas áreas da Saúde, Previdência e Assistência Social. Esse tripé tem sido o mais relevante instrumento de distribuição de renda do país, representando também a garantia, ainda que parcial, de direitos fundamentais básicos a milhões de brasileiros que não tem como recorrer aos sistemas privados de saúde e previdência.
O pagamento de juros e amortizações da dívida consumiu em 2009 a fabulosa quantia de R$ 380 bilhões – mais de R$ 1 bilhão por dia – o que representa 35,57% do Orçamento da União, conforme Gráfico 2. Cabe ressaltar ainda que essa relevante cifra não considerou a chamada “rolagem”, isto é, o pagamento de amortizações por meio da emissão de novos títulos. Caso computada a rolagem, os gastos com a dívida consumiram quase a metade dos recursos orçamentários: 48,24%

À sombra da metástase do capitalismo, por Nei Duclós


Mar 16th, 2012, por Nei Duclós

O Capitalismo nasceu de uma reação ao engessamento econômico e social promovido pelo absolutismo e o poder clerical. Mudou o paradigma das ações ao aproveitar a sem cerimônia das potências em relação ao resto do mundo e eliminou as fronteiras para desencadear o que interessava, o lucro. Mas desde sua origem oferece uma dupla face do mesmo rosto. Para se justificar diante dos poderes tradicionais imperiais, precisava de uma ética, largamente estudada e de maneira brilhante por Max Weber. E para ser fiel à sua natureza agiu por metástase, o crescimento geométrico da exploração e da riqueza, detectados por Karl Marx no século 19.

Romper a lógica do dominó sinistro, em que a metástase vampiriza a sobrevivência das nações, e que começa na especulação e acaba no desemprego, é tarefa que se impõe
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, o clássico livro de Max Weber, tem como contraponto a obra de Marx, notada mente seus dois polos complementares, o popular (O Manifesto do Partido Comunista de 1848) e sua intrincada bíblia, O Capital. O que Weber vê como um conjunto de princípios que levam ao equilíbrio social e à riqueza, Marx vê como uma corrida em direção ao abismo. Talvez ambos tenham eliminado uma das faces do rosto único. Para efeitos deste ensaio, Weber não apontou o desvirtuamento do capitalismo e Marx não celebrou seus princípios, apesar de sua grande admiração pelo assunto, como já notaram inúmeros autores, que colocam o Manifesto como o maior elogio à burguesia.