quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Homens...


Leio que um cantor sertanejo recentemente desquitado teria declarado que gostaria de casar com um homem. Não é o caso do dito ser um homossexual militante, pelo menos não manifestamente. Ele diz que gostaria de “transar” com mulheres, mas casar com um homem, pois, é claro, parece mais simples, já que ele é homem e, assim, entende bem o que outro homem quer. Segundo o sujeito, as mulheres seriam complicadas demais.

Ora, cá para nós, esse é o desejo da maior parte dos homens que conhecemos. Dizem que adoram mulheres, mas, a mulher, para eles, na verdade, não passa daquela carne inútil distribuída em tono da boceta, assustadora demais para ser adorável. Esses caras parecem gostar mesmo é de iguais e, se pudessem, ficariam entre eles mesmos, casadinhos, namorandinho, jogando futebol ou torcendo, tomando uma cervejinha, falando de carros e contando, uns para os outros, o que fazem com a citada carne inútil. Não admitem, porém, ser chamados de veados, bichas, bibas, boiolas ou qualquer outro nome desses que qualifique o sujeito que odeiam mulheres. Tudo bem, rótulos são chatos mesmo.


Uma vez, mais precisamente em 2005, no Maracanã, na decisão do campeonato carioca entre Fluminense e Volta Redonda, um grupo de homens se reuniu no meu lado para tomar cerveja e falar mal de suas mulheres. Para eles, as ditas eram praticamente assessoras do capeta, pois pareciam só ter defeitos. Aliás, havia um misto de ódio e desprezo pelas esposas. Se por um lado elas eram demoníacas, pois atrapalhavam as escapadas dos moços, por outro pareciam ser inferiores, pois fracas fisicamente e emocionalmente, segundo avaliação dos machos. Note-se que as tais “escapadas” diziam respeito a encontros que os rapazes gostariam de ter entre eles mesmos, geralmente, como sempre, para jogar futebol, tomar uma cervejinha e falar de carros e contando, uns para os outros, o que fazem com as mulheres. Veadagem pouca é bobagem.

O fato é que tudo indica que boa parte dos homens gostaria mesmo de se relacionar entre si, numa boa. Talvez não façam isso por algum motivo esotérico, pois seria mais fácil assumir logo a pederastia e deixar de se indignar se alguém lhes chamar disso. Geralmente, o sujeito homem não gosta de ser tratado dessa forma, chega a brigar e até mesmo pode matar se alguém sugerir que usa o cuzinho para outra coisa que não seja eliminar excrementos. Tudo bem, não há também toda essa necessidade do sexo anal, parece. Podem fazer o que o sertanejo disse: transar com as mulheres para satisfazer impulsos naturais mas se casar entre si. Talvez elas gostassem, quem sabe. Ou podem resumir os contatos sexuais a boquetes, assim evitariam a socagem de bosta em uma bunda cabeluda. Argh.

Bem, é claro que nem todos os sujeitos com corpo masculino são tão homossexuais quanto esses contumazes bebedores de cerveja que adoram falar mal das mulheres e, não raro, procuram tatames para se agarrar com a desculpa de que estão lutando (estranha forma de amor). Sempre haverá os homens ditos de verdade, que não precisam mostrar que são homens o tempo todo, que entendem as mulheres como efetivamente atraentes não apenas pelo buraquinho que trazem no meio das pernas, mas também por serem completamente diferentes dos homens. Ora, a diferença é atraente, por mais que cause angústia, e nos lança num percurso de possíveis descobertas, mudanças e transformações, excitando não apenas o pênis, mas principalmente o espírito. O caso é que fica difícil, para mim, entender como pode alguém se sentir atraído ou atraída por um corpo igual ao seu. Eu só posso interpretar isso como uma tentativa de aplacar uma angústia insustentável. Mas, não sou homem como o tal sertanejo e não devo entender muito dessas coisas.

É por essa e por outras que não gosto muito de ser chamado de homem e não pretendo, de forma alguma, casar com outro homem, muito menos sou daqueles que bate no peito afirmando ser homem para caralho (além do que, ser “homem para caralho” é algo extremamente dúbio). Admiro muito as mulheres, acho-as em muitos aspectos superiores a nós, homens, pois têm uma interioridade que jamais um homem conseguirá alcançar plenamente. Não acho, da mesma forma, que o tal feminismo tenha representado um avanço para as mulheres. Pelo contrário. Mulher é mulher, é um outro ser, não é homem e não deveria se arrogar a ser igual a homem nenhum. Simplesmente porque, como disse, é superior, se não em força física, pelo menos em força espiritual, embora, como sempre, haja exceções. E mais: mulher diretora de empresa, mulher chefe de seção, mulher presidente, nada a ver. Essas funções estúpidas deveriam ser deixadas aos estúpidos dos homens.

A mulher deveria lutar para destruir esta sociedade masculina, não colaborar com a sua estabilização e desenvolvimento. Até porque não há espaço para mulheres nela. Na verdade, nem para homens, a não ser que sejam desse jeito, ataquem a diferença e cultuem a semelhança, como se isso fosse bonito. E não é bom esquecer que há quem diga que o feminismo foi literalmente inventado por uns sujeitos interessados em quebrar de vez a unidade familiar, um inequívoco empecilho para o estabelecimento de uma sociedade de consumo e para conseguir taxar comercialmente mais um público, obtendo mais um chamado nicho de mercado para explorar, assim como aconteceu com os adolescentes na idealizada e cultuada contracultura underground.

Esses homens...

Um comentário:

  1. é a mais pura verdade o que voce escreveu meu amigo.............

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