terça-feira, 21 de agosto de 2012

A greve e a desinformação jornalística


Artigo publicado em Viomundo

Celso Vicenzi

Mas, alguns jornalistas

A palavra “mas” é uma conjunção coordenada adversativa, utilizada, pelo que se lê nas boas gramáticas, em situações que indicam oposição, sentido contrário. Tem sido empregada, também, com muita insistência, por boa parte dos jornalistas, principalmente os mais conhecidos colunistas e comentaristas de jornais e tevês – nacionais e regionais –, para turvar a realidade. Virou quase um mantra jornalístico.

“A greve é um direito assegurado pela Constituição ao trabalhador brasileiro, mas…” não deveria prejudicar a população que necessita dos serviços da categoria, não deveria impedir o direito de ir e vir da população (muito comum quando ocorre no transporte coletivo); é justa, “mas” os alunos são os maiores prejudicados (e a culpa cai no colo do professor e nunca do prefeito, governador ou presidente). “Mas” a crise na Europa preocupa e não é hora de o governo brasileiro conceder reajuste de salário aos servidores. Esta a desculpa mais recente. Como se conclui, a greve é um direito do trabalhador, “mas” só poderá ser exercida se não ocasionar problema para ninguém, seja o empresário, seja o governo, seja o povo.

E se não houver saída alguma?


By Immanuel Wallerstein– 17/08/2012

Immanuel Wallerstein especula sobre as raízes da “crise estrutural do capitalismo” – e a dura disputa pelas alternativas

Tradução: Antonio Martins

A maior parte dos políticos e dos “especialistas” tem um costume arraigado de prometer tempos melhores à frente, desde que suas políticas sejam adotadas. As dificuldades econômicas globais que vivemos não são exceção, neste quesito. Seja nas discussões sobre o desemprego nos Estados Unidos, os custos alarmantes de financiamento da dívida pública na Europa ou os índices de crescimento subitamente em declínio, na Índia, China e Brasil, expressões de otimismo a médio prazo permanecem na ordem do dia.

Mas e se não houver motivos para elas? De vez em quando, emerge um pouco de honestidade. Em 7/8, Andrew Ross Sorkin publicou um artigo no New York Times em que oferecia “uma explicação mais direta sobre por que os investidores deixaram as bolsas de valores: elas tornaram-se uma aposta perdedora. Há toda uma geração de investidores que nunca ganhou muito”. Três dias depois, James Mackintosh escreveu algo semelhante no Financial Times: os economistas estão começando a admitir que a Grande Recessão atingiu permanentemente o crescimento… Os investidores estão mais pessimistas”. E, ainda mais importante, o New York Times publicou, em 14/8, reportagem sobre o custo crescente de negociações mais rápidas. Em meio ao artigo, podia-se ler: “[Os investidores] estão desconcertados por um mercado que não ofereceu quase retorno algum na última década, devido às bolhas especulativas e à instabilidade da economia global.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Homens...


Leio que um cantor sertanejo recentemente desquitado teria declarado que gostaria de casar com um homem. Não é o caso do dito ser um homossexual militante, pelo menos não manifestamente. Ele diz que gostaria de “transar” com mulheres, mas casar com um homem, pois, é claro, parece mais simples, já que ele é homem e, assim, entende bem o que outro homem quer. Segundo o sujeito, as mulheres seriam complicadas demais.

Ora, cá para nós, esse é o desejo da maior parte dos homens que conhecemos. Dizem que adoram mulheres, mas, a mulher, para eles, na verdade, não passa daquela carne inútil distribuída em tono da boceta, assustadora demais para ser adorável. Esses caras parecem gostar mesmo é de iguais e, se pudessem, ficariam entre eles mesmos, casadinhos, namorandinho, jogando futebol ou torcendo, tomando uma cervejinha, falando de carros e contando, uns para os outros, o que fazem com a citada carne inútil. Não admitem, porém, ser chamados de veados, bichas, bibas, boiolas ou qualquer outro nome desses que qualifique o sujeito que odeiam mulheres. Tudo bem, rótulos são chatos mesmo.