sexta-feira, 27 de julho de 2012

O secretário de trânsito pode infringir a lei de trânsito e seguir impune?


Pois é... um tanto irônico isso
Leio no portal de notícias de Margarita Sansone que o secretário municipal de Trânsito da Prefeitura de Curitiba, Sr. Marcelo Araújo, soma mais de 180 pontos de infrações de trânsito em sua carteira de motorista. O curioso não é apenas o fato do sujeito ser justamente o responsável pela ordem no trânsito da cidade ordeira de Curitiba. O pior é que, com tantos pontos, fica a suspeita, ou a quase certeza, de que se o dito não teve a carteira cassada foi porque “sabe o caminho das pedras” ou, como se dizia no Rio de Janeiro, “conhece como se dá o pulo do gato”.
Mais: segundo informações da jornalista, nunca fez os cursos de reciclagem os quais os motoristas mortais são obrigados a fazer com muito, muito menos pontos negativos na carteira.

Inacreditável e um tanto revoltante, é preciso dizer.


A lei parece funcionar para a maioria, para os que não têm poder, para os que não são secretários de coisa nenhuma nem conhecem os labirintos dos gabinetes, delegacias e tribunais. E, aposto, o citado motorista/secretário é daqueles que tem no bolso do paletó algum belo discurso pronto sobre a importância de ser responsável no trânsito, condenando os motoristas displicentes e enaltecendo o trabalho da prefeitura na qual tem cargo, bem como, é claro, o do seu prefeito, que agora tenta eleger pela primeira vez como prefeito da cidade, pois que nunca foi eleito para essa função, já que era apenas vice, um mero substituto do titular, chamado Beto Richa, que se elegeu prefeito jurando que ficaria até o final do mandato, mas descumpriu a palavra, traiu o eleitorado, e concorreu ao governo do Estado, menos de dois anos depois de eleito prefeito. O pior é que ganhou, mesmo não tendo honrado as próprias palavras. Mas, o que é honra entre as personalidades públicas?

Curitiba, alguém me disse, é a cidade das armadilhas de trânsito, que rendem multas e aumentam a arrecadação da prefeitura. Minha mulher caiu numa armadilha dessas e foi multada: estacionou num local normal, sem qualquer aparente impedimento, mas ganhou uma multa porque havia uma placa, escondida atrás de uma árvore, na qual se dizia que o estacionamento naquele local era proibido naquele dia específico, num determinado horário, graças a uma dessas feiras de “gastronomia” que acontecem aqui e ali pela cidade. Outra comédia é limitar a velocidade de vias ditas “rápidas” em 60 km, inclusive nas madrugadas. Comédia, não: tudo indica que uma arapuca para tirar dinheiro do cidadão. Isso sem contar com os famigerados bilhetinhos de estacionamento, que ganham o nome de Estar em Curitiba. Você paga para estacionar, mas se alguém depredar ou roubar o seu carro, problema seu. Então, para que pagar?

Aliás, não tem muito tempo se divulgou que as multas cobradas nos últimos anos na capital paranaense eram total e completamente ilegais, pois cobradas e arrecadadas por uma empresa privada. Quem sabe o Sr. Secretário deve ter aproveitado o fato para anular boa parte das multas que recebeu. Quem sabe?

De todo modo, os fatos indicam que o secretário Marcelo certamente pode estacionar no local em que quiser e “pilotar”, como fez o deputado Carli, a 200 km onde bem entender. Certamente recorrerá e as multas, além das consequentes cassações da habilitação, serão suavemente dissolvidas no cinismo dos poderes públicos. Assim como há os deuses do Olimpo, há os cidadãos acima da lei por aqui.

Em tempo: segundo informações do sítio Jornale o dito mau motorista pediu licença do cargo para fazer curso de reciclagem. Há quem duvide da boa intenção do moço e fica a impressão de que fez isso para minimizar o impacto de suas peripécias na campanha do patrão. Quem sabe?

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