sexta-feira, 27 de julho de 2012

O governo “quinta-coluna”


Olhando bem, até que se parecem, excessivamente
"Reprimir manifestações legítimas é aplicar o projeto que nós derrotamos nas urnas", afirma a Central Única dos Trabalhadores (CUT) sobre a postura do governo na greve dos servidores públicos. A CUT é uma entidade sindical ligada ao Partido dos Trabalhadores, que ocupa o Governo Federal, hoje, no Brasil. Se a CUT diz isso, há que se pensar.

No tempo da ditadura militar, nós sabíamos que lutávamos contra um inimigo claro e declarado. Durante os governos de Color e FHC, sabíamos o mesmo. Mas, neste momento, em que ex-companheiros de luta estão no poder, surpreende e assusta perceber que esses mesmos ex-combatentes hoje se tornaram iguais ou mesmo piores do que os ditadores militares ou que os tucanos e pefelistas. Há quem diga que piores, pois traidores e há quem jure que se trata de um governo “quinta-coluna”, o que significa referir uma das maiores ofensas que um militante de esquerda pode ouvir.


O termo “quinta-coluna” designa grupos de traidores que agem clandestinamente, via-de-regra auxiliando forças invasoras inimigas. Parece ter sido utilizado pela primeira vez pelos generais aliados de Francisco Franco, o fascista que governou a Espanha na primeira metade do século XX e cuja palavra de ordem era “Viva a morte!”. Um desses generais, ao entrar em Madrid com suas quatro tropas, que chamava de “colunas”, designou os militares golpistas que o esperavam como sua “quinta coluna”. No caso do governo do PT, tudo leva a crer que as atuais forças golpistas internacionais, comandadas pelos banqueiros, têm esse aliado no seu projeto de concentração de riquezas, o projeto típico da chamada “direita”.

Como já pontuou Norberto Bobbio, a diferença entre “direita” e “esquerda” é que a primeira trabalha pela concentração de riquezas em uma sociedade, enquanto a segunda luta pela distribuição. Na prática, o governo do PT não tem distribuído riquezas, não tem operado no sentido do equilíbrio, pois taxa exageradamente as camadas médias, oferece esmolas aos mais pobres (“bolsas” diversas) e deixa o andar de cima livre para cada vez mais concentrar e multiplicar seus bens. Adotou o princípio neoliberal, herdado do governo que o antecedeu. Governo que, segundo os petistas, deixou uma "herança maldita". Mas, que herança o PT está pensando em deixar?

Dolorido é concluir que o governo do Partido dos Trabalhadores, que sempre se enunciou como “de esquerda”, ao alcançar o poder se transformou em “de direita”, traindo a sua história.

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