sábado, 28 de julho de 2012

Caveirão lamenta morte de menina


Ele lamenta muito e a gente, é claro, acredita muito
O Bope e seu Caveirão lamentam muito a morte da menina Bruna da Silva Ribeiro, de 11 anos, atingida por uma bala durante invasão à comunidade da Quitandinha, em Costa Barros, Zona Norte do Rio. Só que dizem que vão continuar a “pacificar” as comunidades, no mesmo estilo. O que não dizem é que, na verdade, estão pouco se lixando, pouco ligando para as vítimas de suas “operações”. Só lamentam porque não fica bem não fazer isso.

Na nota que a polícia redigiu para expressar sua consternação, porém, não se assume o assassinato e, como sempre, a imprensa o atribui a uma bala “perdida”. Ora, todo carioca sabe que em noventa por cento dos casos, a tal bala “perdida” sai, nessas invasões eufemisticamente chamadas de “operações”, dos canos das armas policiais. Os que não sabem não o fazem por que não querem saber disso mesmo. Para eles, costumeiramente, a morte de mais um favelado traficante – só não chamaram a menina de traficante porque não fica bem – é um bálsamo. A polícia está cumprindo o seu dever, dizem.

Conta-se que as armas dos policiais foram recolhidas para averiguações. Só que, há quem jure, se trata de um ato simbólico, pois, a não ser que Jesus Cristo desça à terra, a polícia jamais assumirá uma morte de uma menina de 11 anos.


Na nota da PM há esta pérola: "Uma corporação que prima pela proteção à vida não poderia ficar insensível à perda de uma criança, ainda mais na mesma semana em que também foi vítima a soldado Fabiana, primeira mulher a morrer num confronto na história da PM”. Ok, mas, por que morreu a soldado Fabiana? Pura maldade de alguém? Crime passional? Bala “perdida”? Cabe investigar o que aconteceu e, segundo informações, o caso se deve a um esquema do que se costuma chamar de “maus policiais”. Quem sabe mais do que eu diz que a soldado foi vítima dos próprios colegas pacificadores e suas malandragens, que, segundo minha fonte, continuam sendo acobertadas pelo Estado policialesco de Cabral.

Isso sem falar na "corporação que prima pela proteção à vida". Vida de quem, cara pálida fardado? 

Para concluir, outra pérola: “Apesar da tristeza pela perda de Bruna, a PM reafirma sua confiança na política de pacificação das comunidades e no trabalho incessante (...). O processo de pacificação é contínuo e exigirá muita dedicação das forças de segurança. A PM continuará empenhada em tirar as armas das mãos de criminosos irresponsáveis." Ok, só os pobres são criminosos e só eles são irresponsáveis. E mais: existe criminoso responsável? Um amigo me diz que esse trecho é auto-referente.

Essa pacificação tem uma identidade que somente o segundo filme Tropa de Elite ajuda a esclarecer. E o tempo, é claro, que certamente julgará os responsáveis.

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