sexta-feira, 20 de abril de 2012

Resposta ao leitor Mauricio Ferrão, que não conhece a ironia

Ferrão errou o alvo
O leitor Mauricio Ferrão chutou a bola na arquibancada no seu comentário ao texto “O liberalismo seria o sistema perfeito para se viver num mundo ideal, se existisse mundo ideal”. Ora, caro Ferrão, você conhece o recurso da ironia? Pior: certamente, você não leu o texto. Mas, mesmo assim, mesmo sem ter prestado qualquer atenção, resolveu me chamar de preconceituoso porque eu teria “chamado os pobres de vagabundos e nojentos”. Não chamei, basta ler.
Ironia, Ferrão, ironia. Sempre é hora de saber o que é isso.

Trata-se de um recurso comunicativo que se define por afirmar o contrário do que se quer dizer, com a precaução de, intencionalmente, manter uma clara distância entre o que se pensa e o que se afirma nesse determinado momento. É muito útil como instrumento de crítica e convida o leitor a uma identificação momentânea e artificial com aquilo que se está criticando. No caso, dada a sua equivocada manifestação, eu poderia escrever, ironicamente: “Bravo, Ferrão, você é muito perspicaz e entendeu perfeitamente o que eu quis dizer”.

Compreendeu agora?

2 comentários:

  1. Então vou tentar ser mais claro: você disse que liberais acham que pobres são vagabundos e isso não é verdade. Sabemos que a desigualdade social existe e um dos grandes causadores dela é o Estado (por um terço dela segundo um estudo publicado por estes dias).

    Você está sendo preconceituoso, criando um espantalho, uma caricatura do que seria o liberalismo e o atacando como se estivesse atacando o liberalismo de verdade.

    Como podes dizer que liberais são a favor do governo favorecer bancos? Liberais querem o governo longe da economia, não queremos privilégios para bancos. Leia: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553

    Agora aceite uma sugestão de sites para você conhecer o liberalismo: ordemlivre.org ; mises.org.br e libertarios.org.br

    Então parabéns por ter um blog, mas se quer escrever sobre algo deves conhecer antes, senão vai parecer só alguém vomitando preconceitos de senso comum.

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  2. Caro Maurício, há liberais e liberais, mas a ideologia liberal se funda em preceitos básicos. O liberal clássico, como você apontou, diz: "que o governo fique longe da economia!". Isso, historicamente, quando o governo resolve bancar qualquer espécie de welfare state, de que forma seja, ou use qualquer mecanismo de equilíbrio socioeconômico. Aí, como no caso da crise recente de 2008. da prime rate, o liberal (ou quem discursa o discurso liberal, como identificar?) vem e diz: "Socorro! Estado! Você tem que salvar a economia!". Ora, ora. Os liberais também dizem que a causa da desigualdade social é o Estado. Além de Von Mises, teve o Hayek que escreveu seu famoso livro afirmando isso em cada dez páginas: para ele e para outros liberais (ou quem discursa o discurso liberal, como identificar?, repito) o Estado foi, junto com o carnaval e o rock'n'roll, uma invenção do diabo. Ora, ok, pode ser, mas a fala liberal é mais demoníaca, já que trabalha sob a perspectiva falsa, mas atraente, de que todos somos iguais, temos as mesmas oportunidades etc. Ah, tá, isso na fantasia, isso somente na véspera de Natal, quando chega Papai Noel. Você, caro Maurício, entende que conhecer algo sobre um assunto é válido quando o que se conhece é aquilo que você acha adequado. Sinto muito, a realidade é bem mais ampla. Li bastante sobre o tema e entendi algo, não o que você entendeu, felizmente ou infelizmente.

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