terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Barbárie!


Cresce entre a elite brasileira, com respaldo evidente dos seus intelectuais orgânicos, a proposta de cortar investimentos sociais. A medida não visa, na verdade, uma economia. O objetivo é que os recursos poupados sejam dirigidos para uma minoria de ricos especuladores financeiros.

Antonio Martins, do Outras Palavras, é perspicaz e explica direitinho o argumento das elites financeiras. “Ao reduzir as despesas com serviços públicos e direitos sociais agora, o Estado estaria abrindo espaço (este é o termo-chave) para reduzir o pagamento de juros… mais tarde”. Não meu amigo ou minha amiga, você não ficou burro de repente. A explicação é absurda mesmo. Segundo o mesmo Martins, “Seria como se um jogador compulsivo dissesse: ‘vou cortar as despesas de educação da família agora para poder, daqui a seis meses, deixar o cassino’. Ou, no caso de um glutão voraz: ‘Em 2012, não como mais frutas. Assim, abro espaço para esquecer a mesa de doces em 2013’”.


Além de tudo, esse pessoal ainda ofende nossa inteligência...


Em São Paulo, um especulador vale mais do que mil famílias


O Estado, que deveria estar do lado dos mais fracos, resolve descer a porrada nestes para satisfazer a ganância de Naji Nahas, um sujeito que chegou a quase ser preso por manipular desavergonhadamente a Bolsa do Rio de Janeiro na década de 1980. Muitos pequenos investidores foram à falência, ou quase, por conta desse fulano.Só não foi ver o sol nascer quadrado, garantem alguns especialistas, porque rico não conhece penitenciária por dentro. Está muito bem de saúde, gozando de liberdade inclusive para destruir a vida de mais de mil famílias que ocupam um terreno de propriedade sua, que, quem sabe, comprou com a grana que conseguiu nessas armações.


Na internet, há os que apóiam a atrocidade policial simplesmente com o argumento de que é preciso defender a propriedade privada. Tá certo. Quando a porta bater na porta deles, reclamam e chamam a polícia. Não devem, desse modo, chorar quando um desses despossuídos de propriedades privadas puxar uma “quadrada” para “fazer um ganho” ou coisa pior. Cá para nós, é compreensível que isso ocorra, considerando o que os mais pobres têm sofrido simplesmente por não terem mais nada a perder além da própria vida.


Está se gerando um ódio descomunal, simplesmente por ganância de meia dúzia de especuladores. A maior causa da violência é a falta de solidariedade, não a diferença entre possuídos e despossuídos. Esta diferença é normal e todas as sociedades, em todos os tempos, conviveram e convivem com isso.


Saiu enfartado e sem cheque no bolso, está condenado


Em Brasília, o secretário de Recursos Humanos Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, morreu após sofrer um enfarte. Foi levado a duas casas de saúde para atendimento que, segundo o jornal Correio Braziliense, supostamente teriam negado atendimento porque Duvanier não tinha um cheque para deixar como caução. Ao chegar ao terceiro hospital, não houve como salvá-lo.


Caso se confirmem as informações do jornal de Brasília, trata-se de crime ou, mais que isso, de pura barbárie. E assim rasteja a humanidade.

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