domingo, 16 de dezembro de 2012

O sol, esse vilão

Lembro, ainda, do tempo em que os dias de sol eram bem-vindos e, principalmente em finais de semana, o sol ganhava até mesmo aplausos quando aparecia, mesmo que após um breve sumiço, graças à passagem de alguma nuvem. Bastava surgir os primeiros raios solares e as pessoas, em família, em pares amorosos ou mesmo solitárias, saíam de casa simplesmente para recebê-los na pele, alegres e esperançosas com a perspectiva de sentir os efeitos salutares da exposição ao sol. Tomar sol trazia boa saúde, era o que se dizia.

É claro que havia restrições a essa exposição, mas nada de sério. Os pais alertavam os filhos de que o melhor horário para o banho solar era lá pelas sete ou oito da manhã, mas não se dizia, como acontece hoje, que ir à praia ao meio-dia seria algo causador de degenerações diversas, câncer ou quaisquer outros males. Dizia-se que não fazia bem, que os raios eram nocivos nesse período do dia e só.

Há uma distância enorme entre alertar que o sol do meio-dia não faz bem, ou mesmo que “faz mal”, e dizer que o sol causa câncer, catarata e doenças degenerativas. No primeiro caso, há algo como uma preocupação materna, a ternura de uma amizade ou até um mero cuidado carinhoso de quem nos quer bem. No segundo, se você prestar atenção, perceberá que há uma ameaça latente e, mais grave, quase a torcida para que você morra torto se tomar sol em um mau horário, ou, ainda, o interesse em que você compre algo.  

Veja que uma matéria recente de uma revista cujo nome não é nada menos que “Saúde”, sentencia quem se expor ao sol sem óculos escuros, com filtro especial contra os raios solares, cairá vítima de catarata ou mesmo uma assustadoramente até então desconhecida degeneração macular. Isso no barato, pois a coisa pode ser bem pior. Ou você compra óculos com esses filtros, bem mais caros que os de camelô ou que a maioria dos simples óculos de sol, ou estará assinando a sua sentença. Logo, se você não tem dinheiro para essas coisas que pareciam supérfluas, cuidado: o bicho vai pegar pro teu lado.

Não bastam os óculos, têm que ter filtro, lembre-se. Quem diz não sou eu, é um especialista que fala à revista com o claro intuito de te induzir a comprar algo, no caso um óculos turbinado com filtro solar. E ameaça: se você usa lentes escuras sem o filtro adequado, está é desprotegendo seus olhinhos. A luminosidade é menor e as pupilas e as pálpebras se abrem: isso aumenta a penetração e o dano causado pelos raios nocivos do sol. Não há saída, apenas ir à ótica e comprar.

As revistas de boa vendagem costumam sugerir a você a ideia de que você precisa gastar, sempre, para ter segurança, conforto, proteção contra o sol ou qualquer outro bem. A ecologia e os profissionais de saúde funcionam comercialmente bem para isso. Se você não anda podendo gastar, vai sucumbir. É o darwinismo, não se assuste. Somente os mais ricos sobreviverão ao sol, pois podem comprar óculos gastando o que você fatura num mês inteiro de trabalho. Se você não pode fazer isso, foda-se, dizem essas matérias. Ou viva todo o seu tempo sonhando com a chegada do dia em que você conseguirá se proteger integralmente contra todos os riscos. E esse dia chegará, mas você estará duro, total e absolutamente duro e frio. E porá a culpa no sol, com certeza.

Aquecimento global, uma ova!, ele diz



Há uma polêmica que envolve conceitos ambientalistas e que não chegam ao grande público. Uma delas envolve a ideia de aquecimento global, aparentemente inquestionável, mas que vem sendo desmistificada pelo professor Ricardo Augusto Felício, que leciona Geografia na USP. Ele não acredita nessa conversa ecológica e denuncia a farsa ambiental como uma forma de fazer com que as pessoas gastem mais dinheiro e, principalmente, de fazer com que esse dinheiro flua para bolsos bem aventurados.

Segundo Felício, noções como a do aquecimento global são da mesma natureza que a existência das armas de destruição em massa no Iraque, que justificaram a invasão estadunidense de 2003, que, todos sabemos, serviu apenas para que alguns empresários fizessem bons negócios no ramo petroleiro. Para o professor da USP, tudo não passa de balela:

“O medo legitima a implementação de qualquer coisa, e ainda serve de desculpa que não deu para fazer algo que deveria ser feito. Teve enchente? Poxa, desculpa, quem mandou você usar o seu carro? Mudou o clima do planeta: se você não usar a sua lâmpada de led você vai ter um desastre de enormes proporções. Agora inventaram até essa história de proibir sacolinha plástica (a distribuição em supermercados) para obrigar as pessoas a gastar mais dinheiro”.

O professor desmistifica uma estratégia de controle subjetivo que pauta não apenas o comportamento das pessoas, mas também seus pensamentos e sentimentos, através do medo e, ainda por cima, justifica uma série de ações de governos e empresas. Segundo Felício, em nome da salvação do planeta, muitas coisas absurdas têm sido feitas e outras não têm sido feitas: afinal, o argumento de que o planeta está em risco justifica qualquer atitude. Mas, nos tranquiliza e lembra:

“O planeta é muito mais sofisticado do que a gente acha. Já existem vários mecanismos na espreita aproveitando a oportunidade. Já ouviu falar das leveduras negras? São bactérias que comem até petróleo. (...) Daqui a pouco vão falar que o aquecimento global começou com as sacolinhas”.

Felício não tem papas na língua e abre fogo contra ecologistas famosos, como Al Gore, que foi vice de Clinton:

“Ele é um sem-vergonha! Ele é dono da bolsa climática CCX (que cuida de créditos de carbono), que está caindo por chão, porque sua história é irreal. O filme e o livro são proibidos de entrar nas escolas do Reino Unido. A alta corte britânica proibiu, você sabia disso? Porque tem pelo menos 10 inverdades ali. Aqui você vai a qualquer escola e tem gente ensinando e falando do filme daquele desgraçado”.

Ele conta que uma mentira clássica explorada por Gore é a de que os efeitos meteorológicos estão ficando severos:

“Poxa, gente de velha guarda dos Estados Unidos que estuda tornados e furacões há décadas mostra que isso não existe. É o processo da desinformação. Colocam um cientista político corrupto por trás, que vai na história que você quer escutar. Eu estudo há anos a Antártida e já estive lá duas vezes. Os anos de 2007 e 2009 foram os mais frios, quebrou-se recorde de 1941. Justamente no ponto em que eles dizem que mais se aquece, que é a península Antártida. O pessoal do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que trabalhava sério com as informações de meteorologia, nos últimos 15 anos mostrou que a temperatura estava baixando. Só que fecharam a estação deles! Quando a informação não convém, fecha-se”.

Abra o olho. Felício pode estar delirando, mas tudo indica que está lúcido e desmantelando o discurso que vem fundamentando o que conhecemos como “Capitalismo Verde”, ou “Máfia Verde”, conforme título de um livro que está quase sendo queimado em praça pública pelos ecologistas. Mas, acima de tudo, calma. O planeta não vai acabar, não precisa de salvação nenhuma. E, depois, quem é você, quem sou eu, quem somos nós para salvar um planeta? Vamos pensar sobre isso e desmascarar quem quer nos fazer de bobos. Agora, cuidado. Muita gente boa acaba repetindo essas falas por pura ignorância. Paciência.

sábado, 24 de novembro de 2012

Adoçantes não têm interesse em enganar consumidor, mas o DPDC garante que enganam



Eis a stevia, praticamente ausente dos adoçantes à base de stevia
 Nesta semana a Folha de São Paulo divulgou que os fabricantes de adoçantes foram multados por propaganda enganosa. Segundo o jornal, a Doce Menor Stevia Mix e Stevip levaram um puxão de orelhas do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça. As multas variam entre R$ 125.000,00 e R$ 200.000,00. O motivo é que essas empresas, segundo o DPDC, enganam seus clientes induzindo-os a crer que o produto seria predominantemente composto por substância de origem natural, derivada da planta stevia rebaudiana, enquanto a verdade é outra e essa substância entra apenas minimamente na composição do produto. Ou seja, o natural está no rótulo, não na composição química. Sendo mais específico: trata-se de procedimento com punição prevista no código penal, lá no artigo 171.

Em um dos casos, a informação era de que o produto seria feito "à base de estévia". Pior: os rótulos não traziam informações sobre a composição do produto (a não ser a mentira citada) nem sobre a presença maciça de adoçantes sintéticos, como o ciclamato de sódio e a sacarina. Segundo o diretor do DPDC, em depoimento à Folha, "A quantidade de stevia nesse produtos é muito pequena e não justifica que tenham esse nome". Isso acontece, é claro, porque um produto natural atrai mais o consumidor do que um artificial. Se você não entendeu ainda, os adoçantes são predominantemente artificiais, mas passam como naturalíssimos. Eu mesmo já ouvi pessoas me aconselhando usar esses produtos dizendo que eram naturais.

De todo modo, também segundo o jornal, a assessoria de imprensa da Stevia Brasil garante, com todas as letras, que "Nunca houve interesse em enganar quem quer que fosse, muito menos nosso consumidor". Parece claro que se nunca houve interesse, o fato é que o consumidor parece ter sido, inegavelmente, enganado todo o tempo. Ao menos, o DPDC entende assim.

A questão é que o consumidor é uma espécie animal facilmente enganável. Uma de suas características é acreditar nos rótulos e nas peças publicitárias, além de demonstrar inequívoca e ingênua fé nos seres humanos, contanto que não morem em bairros pobres e/ou favelas. Se o sujeito tem endereço nobre, é certamente pessoa idônea, pensa o consumidor padrão. Se trabalha em empresa de grande porte, merece respeito; se executivo de empresa multinacional, deve ser saudado com efusivas manifestações de apreço e, não raro, se aconselha ajoelhar à sua passagem. E não tente dizer isso a um consumidor: embora seja fato provado e comprovado, ele se ofende ao ouvir a verdade, pois preza, acima de tudo, as mentiras que regem sua vida medíocre. Pode chegar mesmo a fazer um belo discurso acerca da cidadania e enaltecer sua vigilância pela preservação de seus direitos. Tudo isso pelo Facebook, diga-se de passagem.

Quem dá o direito ao homem de humilhar a mulher? Adivinhe!


Me deparo com texto com o seguinte título: “De onde vem o direito do homem de humilhar a mulher?” Está publicado e disponível em http://br.mulher.yahoo.com/blogs/preliminares/onde-vem-o-direito-homem-humilhar-mulher-191206981.html e é de autoria de Carol Patrocínio, jornalista que mantém um blog chamado “Preliminares”, no Yahoo. Quero dizer que nada tenho contra o blog e nem contra Patrocínio, apenas achei interessante a questão que, como tudo indica, já está respondida desde que formulada e, observando o texto, respondida sobejamente, embora tenha ficado com a impressão de que a autora não a decifrou.

Imediatamente, meditei: “direito” de humilhar alguém, na prática, ninguém tem, embora se compreendermos que a violência contém, aparentemente sempre, uma humilhação, há quem tenha esse direito. É claro que falo do Estado e suas instituições, notadamente a polícia, que o faz constantemente. A essa violência e consequente humilhação, costumamos chamar de “legítima” e o tema foi bem tratado por Max Weber, mas, bem antes, foi formulada, fundamentada e justificada por Thomas Hobbes. A sociedade (incluindo, por suposição, aquele que sofre a agressão/humilhação) é quem legitima a violência estatal e policial. Segundo a lógica hobbesiana, abrimos mão de nossa liberdade e, da mesma forma, de nossa integridade, para que possamos conviver pacificamente em sociedade.

domingo, 18 de novembro de 2012

Thales, o primeiro filósofo e também o primeiro dos sete sábios gregos


Uma representação dos chamados "Sete Sábios da Grécia"
 Thales foi um sujeito nascido em Mileto, colônia grega na chamada Ásia Menor, mais precisamente na atual Turquia, mais precisamente ainda na foz do Rio Meandro. Foi comerciante, engenheiro, físico, astrônomo, filósofo, sábio e sabe-se lá o que mais. Costumeiramente, seu nome é lembrado como o mais antigo pioneiro da história da Filosofia e da Ciência, pois teria abandonado as explicações mitológicas predominantes em seu tempo para propor que se pensasse a realidade e a origem de tudo a partir de elementos físicos, no caso a água, que seria a substância original de tudo o que existe.

Mas, não se resumiu a essa façanha a vida de Thales, embora Aristóteles a considere a mais importante, por inaugurar, segundo ele, o início da abordagem da realidade através disso que chamamos “Razão”, a boa e velha racionalidade, para a qual os tempos pós-modernos torcem o nariz. No entanto, se considerarmos a razão como um eficiente veículo de compreensão do mundo – o que comprovam todos os avanços técnicos e tecnológicos e, por que não citar, o discurso publicitário, que, com base em planejamentos racionalíssimos, cada vez mais domina o real, transmutando-o numa espécie de hiper-real à Baudrillard – a “invenção” de Thales está cada vez mais ativa e presente.

Antitabagistas são como a Gestapo da Saúde



Pega o fumante! Pega!
 Sou fumante. Fumo quando quero e o faço porque gosto, não porque sou obrigado por suores frios ou tremores nas mãos. Gosto do sabor do tabaco e fumo tanto cigarros industrializados como os de palha ou artesanais, que, muitas vezes, eu mesmo preparo. Repito: fumo porque tenho gosto de fazer isso, não me sinto obrigado a fumar, não me sinto compelido obsessivamente a acender um cigarro e sou capaz de ficar dias, semanas ou meses sem fumar, contanto que haja motivo para isso.

Mas, a Organização Mundial de Saúde, a OMS, entende que sou um idiota e que se assim sou é porque fumo. Pior, não apenas acha que sou um idiota, como me trata como um demente e resolve que deve controlar a minha vida e me dizer o que devo e não devo fazer. Para a OMS o cigarro é necessariamente ruim, assim como tomar cicuta. Para essa saudável entidade, certamente formada por pessoas que são totalmente saudáveis, ninguém deveria fumar para ser saudável como os que fazem parte dela. Engraçado.

Engraçado foi descobrir, há umas dezenas de anos, que um dos mais importantes e ilustres dirigentes de saúde brasileiros, que chegou a altos cargos na administração pública, não fumava e era radicalmente, raivosamente, crítico do hábito de fumar, mas cheirava cocaína à larga, sem miséria (soube de fonte fidedigna, próxima a ele). Não o conhecia nem o conheci, mas confesso que senti imensa vontade de lhe perguntar, na época, se o hábito de cheirar cocaína não seria, no mínimo, tão pernóstico e deletério quanto o cigarro, que ele tanto odiava. Quem sabe, me respondesse que um mal não anula o outro, vá saber.

Outro dia li o título de um texto: O cigarro é o mal num mundo perfeito. É isso. Sintetiza bem o que ocorre. Os antitabagistas, uma espécie de Gestapo da Saúde, acreditam que se exterminarem os fumantes conseguirão um grande avanço para um mundo perfeito e sem males nem doenças. São lunáticos, mas estão com poder suficiente para impor suas ideias delirantes a todos.

Prevenir tragédia não dá voto


Leio em jornal curitibano que o planejamento de prevenção a desastres está sendo subestimado no Paraná. Ora, só no Paraná? É claro que prevenir, seja lá o que for, é algo que não costuma ser muito valorizado em nenhum lugar. Por quê? Ora, por um lado, pelo simples e singelo fato de que não dá voto e, pelo outro, porque são recursos que podem ser facilmente desviados. Na prática, tragédias, além de doenças, dão lucro e não incomodam tanto assim o eleitor que não foi soterrado ou afogado.

Você já viu candidato ganhar voto falando de tragédia que não aconteceu? Se não aconteceu, não rende nada, não dá crédito a ninguém. Algo que não acontece não fornece vantagem, ao menos explicitamente. Já, em casos de extremo azar, o político pode ser acusado, no caso de algum desastre ter acontecido, de irresponsável, ou mesmo de ter desviado recursos, e perder votos. Veja que esse é um caso de extremo azar e não é usual apostar no extremo azar, ainda mais sabendo que se este não acontecer, nada de ruim acontecerá em consequência disso. É bem mais cômodo apostar que o azar não terá vez. E as soluções cômodas são as preferidas por nove entre dez seres humanos.

Ainda temos que pensar que é muito fácil e cômodo desviar dinheiro destinado a combater o que não aconteceu e que nem se terá certeza que acontecerá. Você é prefeito e recebe R$ 500 mil para prevenir efeitos de potenciais chuvas de verão na sua cidade. Aí, você pensa: 400? Para que 300, se 200 é muito? Acaba gastando, à custa de maquiagens e máquinas pesadas passeando pelas ruas em cortejo, o menos que pode e, não raro, consegue o mesmo efeito visual. Se alguém reclamar depois da tragédia, é só dizer: “Mas nós fizemos as obras de contenção da encosta! A chuva é que foi mais forte do que o esperado!” Não vá dizer toda a verdade e deixar alguém saber que as tais obras foram mais estéticas do que efetivas ou eficazes. Não vá contar, também, que os recursos que sobraram você investiu no caixa 2 para a campanha, em melhorias no seu gabinete ou na construção de uma casa de praia. Isso é segredo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ministros podem receber acima do teto remuneratório, você não


Veja você: Ministros de Estado brasileiros recebem por ser ministros e, ainda, ganham uns tais jetons por participação nos conselhos de empresas estatais. Matéria no jornal curitibano “Gazeta do Povo” cita Paulo Bernardo (das Comunicações), Celso Amorim (da Defesa), Fernando Pimentel (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Guido Mantega (da Fazenda) e Miriam Belchior (do Planejamento), como alguns dos privilegiados que recebem dos cofres públicos bem acima do tal “teto remuneratório” que vale para todos os outros mortais, menos para esses (que devem se julgar imortais, tudo indica).

Veja também que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) suspendeu, na semana passada, decisão de juiz federal que limitava as remunerações desses privilegiados ao teto constitucional (o “teto remuneratório” citado acima). Ou seja, os meninos e meninas do governo do PT, os antigos companheiros que, se estivessem fora do governo, classificariam tudo isso de escandaloso, podem receber suas fortunas mensais sem grandes problemas. Somente Mantega e Belchior teriam recebido a bagatela de R$ 36 mil de jetons no mês de maio, só da Petrobras. Cada um, não os dois somados. O que é isso, companheiros?

FHC pediu que esquecêssemos o que ele havia escrito. Os companheiros do PT fazem o mesmo, mas não pedem que esqueçamos apenas o que escreveram, mas também o que falaram, disseram e pensaram (além de como agiram, é claro) durante toda a vida antes de serem governantes.

São dez anos de governo. São dez anos de decepções contínuas e constantes com esse pessoal. De Lula ao ponta-esquerda, se é que tem alguém na esquerda nesse time.

De todo modo, não esqueça o nome dessas figuras e menos ainda das estatais que os têm como conselheiros: Correios, BNDES, Eletrobras, Petrobras e Brasprev.

Segundo matéria do jornal, “Há casos em que não há relação direta entre as funções dos ministros e as áreas de atuação das companhias. Celso Amorim consta na ação como membro do conselho da hidrelétrica de Itaipu”. Pior, a matéria informa que a Advocacia Geral da União (AGU) defende a legalidade do acúmulo de remunerações. Caros advogados gerais da União, legal isso é, assim como outras tantas coisas absurdas que acontecem em governos e fora deles, mas não é justo nem moral. Perdoem-me se estou tão errado assim. Se não estou, é preciso fazer justiça e coibir essa imoralidade, não apoiá-la.

domingo, 21 de outubro de 2012

Só os deuses são melancólicos incuráveis


Ando pela rua e nada me anima. Olha em volta e tudo me parece desanimador. Estou deprimido, é claro, por isso qualquer coisa que tente me proporcionar alegria morre de inanição. Nesses momentos, creio ser interessante e útil pensar sobre a distância que existe entre o meu lado de dentro e tudo o que está fora de mim, ou seja, o que posso chamar de meu e as coisas que não são minhas, não posso identificar como parte de mim.

Trabalho com a noção de “dentro” e “fora” tentando uma divisão didática que me indique parâmetros para pensar uma divisão básica de nossa existência: existem, subjetivamente, coisas que identifico como minhas ou como parte de mim – meus pensamentos, por exemplo – e coisas que apenas observo existirem, mas não fazem parte daquilo que chamo “minha pessoa”.

No dia de hoje, posso chamar de meus os pensamentos melancólicos, posso chamar de minha a tristeza e o desencanto. Fora de mim, estão as pessoas que não são o que chamo de eu e uma infinidade de coisas. Logo, o que posso chamar de “meu” remete a uma limitada gama de objetos abstratos e, é claro, ao meu corpo, que, na verdade, não é meu, pois me hospeda. Mais precisamente, o corpo pertence ao planeta, à natureza, a Maia, a Deus, aos cosmos ou a quem ou o que quer que seja e representa a totalidade das coisas nas quais estou incluído eu. Se houver efetivamente um Deus, imaginado de acordo com a nossa imagem e semelhança, ele chama ao todo de “eu” (e nós, eu e você, somos partes desse “eu”, é bom lembrar). Mesmo que entendamos que somos feitos à imagem e semelhança dele, isso não muda muita coisa, neste caso, pois simplesmente teremos que aceitar que para podermos entender o que é Deus, teremos que imaginá-lo à nossa imagem e semelhança. Se um boi for imaginar o seu Deus, certamente este será um boi, já dizia, sensatamente, Xenófanes (ver http://luizgeremias.blogspot.com.br/2011/03/fala-xenofanes.html).

O caso é que meus pensamentos são tristes, hoje. Mas, são meus esses pensamentos e nada têm a ver com o que me circunda na rua. No entanto, talvez exatamente por serem meus, eles contaminam tudo a minha volta, como se tudo fosse meu. De certo modo, o que é meu, meus pensamentos, emoções, sentimentos etc. funcionam como uma lente com a qual enxergo e, é claro, interpreto tudo. Se essa lente está turva, como no caso de um quadro depressivo como o meu, tudo estará turvo. Quando me recupero e mudo o meu humor, tudo clareia. Como Deus, acabo, eu, você e tantos outros, chamando tudo de nosso.

Sendo breve, a melhor forma de combater o ânimo melancólico é saber disso, pensar nisso. Por mais que você se sinta triste, abatido ou abatida, lembre-se que as coisas em volta não estão desse modo e que, se você permitir, essas coisas podem lhe tirar do poço. Ou, no mínimo, ajudar você a sair dele. Isso, é claro, se você souber, com certeza, que não é Deus. Não sabendo disso, nada adianta. Nada irá lhe tirar do poço, pois ele é seu, você o fez à sua imagem e semelhança e acredita tanto nele que nele caiu.

sábado, 6 de outubro de 2012

Estupro é hediondo, seja físico ou moral


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) resolveu rediscutir a questão do estupro e redefinir se é adequado entendê-lo como crime hediondo, como vem sendo feito, ou abrandar essa classificação. O fato é que há mais de dez anos o Superior Tribunal Federal (STF), a nossa Suprema Corte, resolveu que estuprar é, sim, cometer crime hediondo. E crime hediondo, você sabe, é aquele crime considerado mais grave que os crimes comuns, aquele que causa mais revolta e aversão. Para a jurista Fátima Aparecida de Souza Borges, é o “delito cuja lesividade é acentuadamente expressiva, ou seja, crime de extremo potencial ofensivo, ao qual denominamos crime ‘de gravidade acentuada’”. Não necessariamente é aquele cometido com requintes de crueldade, segundo o texto publicado no sítio Wikipédia. Seria aquele que ofende gravemente os “valores morais de indiscutível legitimidade, como o sentimento comum de piedade, de fraternidade, de solidariedade e de respeito à dignidade da pessoa humana”. O motivo para rediscutir a classificação é a discordância constatada entre juízes. O STJ quer criar uma súmula vinculante definindo a hediondez ou não do estupro.

Uma discussão funcional, portanto.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Existe democracia midiática? É claro que sim



Sorrisos democráticos

Em pesquisa na internet, deparo com uma expressão pitoresca: “democracia midiática”. Democracia, como eu e você sabemos, é um sistema político baseado na participação do maior número de pessoas no processo decisório. Nasceu em Atenas, na antiga Grécia das polis e não tinha, na época, a estrutura representativa que tem hoje, nas democracias liberais: eram os próprios cidadãos, ou quem podia ser considerado cidadão, que se reuniam na Ágora, uma ampla praça, e debatiam as questões importantes para a coletividade, decidindo, por votação, o que fazer. Nunca é demais lembrar que Benjamin Constant de Rebecque, um teórico que gostava de pensar sobre a tal democracia, diferenciou a ateniense da liberal de forma clara e engenhosa: a democracia ateniense é positiva, pois se funda no incentivo do Estado a que os cidadãos participem ativamente do processo decisório; a liberal é negativa, pois simplesmente busca garantir que o Estado não se meta na vida privada dos cidadãos, garantindo o que os liberais chamam de “direitos individuais”.

Mas, e midiático, o que significa? Claro que falamos de algo relacionado ao que chamamos de “mídia”, ou seja, o conjunto dos meios de comunicação, notadamente os de grande difusão, conhecidos como “de massa”, o que significa dizer que não apenas atingem grande número de pessoas, como tratam suas informações de determinado modo: priorizam o enfoque espetacular, tratam de forma superficial toda e qualquer notícia, partem de um emissor para milhares ou milhões de receptores e, não há como negar, buscam produzir reações emocionais, nunca racionais. Acima de tudo, pelas características levantadas, não incentivam os receptores à participação política, muito pelo contrário.

Calma, companheiro, o Dirceu segura o BO


Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), promete pegar pesado com José Dirceu, Delúbio Soares e Marcos Valério. A expectativa é grande, pois Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, é acusado de ser o mentor do esquema. Repito: ex-ministro da Casa Civil e mentor do esquema. Homem de confiança do presidente, aliás, mais que de confiança. Parece que o Dirceu vai segurar o BO e livrar a cara do homem. É o que dizem por aí.

Não estou nessa de ficar horrorizado com o tal mensalão. Isso é prática corrente na política e, embora não se possa afirmar que acontece em todo lugar, em todo governo, pois que isso seria generalizar e generalizações são desaconselháveis, a probabilidade de que quase todos os governos, municipais, estaduais e federais já tenham experimentado essa prática é grande. O modelo, acima de tudo, é esse, o do toma-lá-dá-cá, o do “cadê o meu?”.

domingo, 30 de setembro de 2012

Pesquisa sugere que somente prestamos atenção a quem diz o que já sabemos e cujas opiniões concordamos

Matéria do sítio http://hypescience.com divulga resultados críticos de pesquisa realizada para medir os efeitos dos horários eleitorais gratuitos na TV. A equipe da pesquisadora Zheng Wang, da Universidade Estadual de Ohio (EUA), analisou a reação de quinze estudantes universitários a propagandas eleitorais da campanha para a eleição presidencial de 2008, disputada pelo atual presidente, Barak Obama, e seu concorrente derrotado, McCain.

Cada estudante assistiu a 12 propaganda, 6 de cada candidato, e teve suas reações fisiológicas medidas por aparelhos. Isso significa dizer que se monitoravam coisas como ritmo cardíaco, suor e movimentação dos músculos da face. Ao final, cada sujeito dizia o que achava dos candidatos.

O resultado foi decepcionante para os assessores de políticos, que sempre defendem a participação de seus patrões nos programas eleitorais e ficam cavando todos os espaços possíveis para os incluir nos horários gratuitos da TV. Nada de significativo se percebeu, inclusive nada de marcante no que diz respeito às reações diante dos candidatos não preferidos. Com relação ao programa eleitoral destes, constatou-se que os participantes da pesquisa tenderam a ignorar as propagandas dos candidatos dos quais não gostavam: o ritmo cardíaco desacelerou e praticamente não houve movimentos dos músculos faciais. Ou seja, houve quase absoluta falta de interesse.

A explicação é preocupante para os democratas e humanistas de plantão: segundo Wang, o fato é que tendemos a prestar atenção principalmente a informações que reforcem o que já pensamos, ignorando solenemente tudo o que nos contradiz. Como pensar no engrandecimento humano com tamanho ovo narcísico? Como imaginar uma sociedade democrática na qual somente procuramos os espelhos que nos retornem o que já vimos e sabemos? Diversidade? Ora, desse modo fica ridículo falar nisso. Fica a frase da música “Sampa”, de Caetano Veloso: “Narciso acha feio o que não é espelho”. Risível.

Empresários devem estar de saco cheio da malandragem oficial



Saudades do Bezerra, que cantava a malandragem original e verdadeira

Os empresários reclamam, com razão, que a carga de tributos é pesada demais no Brasil. O governo, então, preparou um pacote de incentivos à inciativa privada, no qual há uma redução dessa carga. Até aí, admirável a iniciativa. Mas, como tudo que parece bom por aqui merece ser investigado, a Folha de São Paulo informa que o governo deu com uma mão e tirou com a outra, o que pode significar que o jogo, para as empresas, acabará quase no zero a zero.

A redução dos tributos está prevista num tal plano Brasil Maior, que vai para sanção da presidente no início de outubro e retira encargos da folha de pagamento, estimulando a contratação formal de trabalhadores e procurando tornar nossas empresas mais competitivas em relação às estrangeiras. Aplausos.

Ocorre que, com a desoneração, está prevista uma alíquota de imposto que, em tese, reduziria consideravelmente as despesas com pessoal. Aí que começam os problemas. Até agora há pouco, os empresários comemoravam, mas durante a tramitação do plano, houve uma transformação no conceito de renda bruta que reduz consideravelmente, quase zera, as vantagens antes previstas.

É que, segundo a matéria, a empresa deixaria de recolher os 20% da contribuição previdenciária em troca de um pagamento de algo em torno de 1 ou 2% sobre o faturamento da empresa. E, de repente, surgiu no texto do plano uma alteração na definição de receita bruta, montante sobre o qual incidirá a nova alíquota, incluindo nele receitas financeiras, de aluguéis, de alienação de bens e imóveis e até mesmo venda de ações. Os empresários dizem que isso põe por terra toda a boa iniciativa do tal plano Brasil Maior.

A iniciativa da alteração é da Receita Federal. Precisa dizer mais algo?

Precisamos de bons exemplos, não de aulas de malandragem

Tenho sido muito crítico com relação a empresas e empresários nos últimos anos. Tenho obtido exemplos ao longo da minha vida que me permitem até mesmo solicitar a equiparação do conceito de empresário com o de chefe de quadrilha, pois que a gana de enganar e tungar o cliente é tão grande que as funções chegam a se assemelhar demasiadamente. No entanto, pelo exposto, sou obrigado a admitir que o governo não fica atrás nessa, ao menos pelo lido na matéria da Folha.

Precisamos de bons exemplos éticos, boas referências de comportamento e de atitudes dignas, não de aulas de malandragem. E mudar o texto no meio do caminho, como se costuma dizer, “na surdina”, não é um bom exemplo ético, muito menos uma referência digna de nota.

Crescer demais não é bom negócio


Basta ser economista para falar de crescimento. Nunca vi gente tão preocupada com crescer do que essa. Tem também os pediatras, que ficam obsessivamente controlando o quanto uma criança espichou desde a última consulta, mas creio que, fora exageros, essa atitude é bem mais compreensível e saudável. Economista, porém, não está preocupado se alguém ficou mais alto ou mais gordo, ou seja, se cresceu vertical ou horizontalmente. A preocupação dele com crescimento está relacionada a se uma economia ficou mais cheia de capital, se há mais indústrias, empresas diversas, se salários valorizaram, se o consumo está maior, se o Produto Interno Bruto ganhou algum número percentual. Ora, mas por que isso é importante? Sinceramente, não sei.

Digo que não sei, mas entendo o argumento dos economistas. Eles dizem que crescer é proporcionar perspectivas de melhoria de vida para todos. Avançar a economia, diga-se avolumá-la, é interpretado por eles como fundamental para o enriquecimento geral e alguns chegam a dizer que depende do crescimento a distribuição de renda. Na minha percepção, acreditar nisso corresponde a passar a noite do dia 24 para 25 de dezembro do lado do pinheirinho de Natal esperando Papai Noel.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Legalismo, a outra face do oportunismo


Eu, como você, tenho a oportunidade de lidar com inúmeros típicos cidadãos amantes da lei, obsessivamente ordeiros e conscientes de suas obrigações, deveres e direitos. Isso, na conversa, é claro. Na prática, as coisas não funcionam bem assim, muito pelo contrário. Chamo genericamente essas pessoas de “legalistas”, uma espécie de praga que se estende a aparentemente todos os recantos do planeta ou mesmo do Universo. O mais preocupante é que a quantidade de legalistas por metro quadrado é assustadora por aí.

Quero dizer que compreendo o legalista como um malandro essencial, uma praga. Vive apontando caminhos ditados pela letra fria da lei, mas, via de regra, não os segue e, se puder, permite e mesmo incentiva que seus entes queridos também não o façam. A lei, na verdade, parece ter essa função, tanto que é corrente no meio político a expressão: aos amigos tudo; aos inimigos o rigor da lei.

No serviço público, pululam os legalistas. Aliás, a situação peculiar de um órgão público é favorável à disseminação dessa patologia de caráter. Dizia um cartaz numa sala na qual trabalhei: a empresa privada faz o que a lei não proíbe; a pública faz apenas o que a lei determina. Num ambiente desses, é claro que os legalistas se multiplicam. Trata-se, em alguns casos e em algumas situações, de questão de sobrevivência.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Senadores não pagam IR? Você paga por eles


Mas não é que os senadores não descontaram o imposto de renda na fonte por cinco anos! Nenhum senador pagou! A Receita Federal, famosa por sua voracidade em depenar o cidadão, parece ter aliviado a vida dos coitados dos parlamentares do chamado “alto clero”, conforme se costuma chamá-los “nas internas”. Aliviou, mas, de repente, se arrependeu e está cobrando os atrasados, resta saber se com os altos juros característicos e a multa sangrenta, como costuma fazer conosco, simples mortais. Mas, um senador é um simples mortal? Ah, antes que esqueça: os descontos não foram feitos sobre os 14º e 15º salários. Sobre o resto, os outros treze salários, houve desconto. Mas, só para esclarecer, você tem isso de dois salários a mais por ano? Eu, não tenho. Nunca tive.

A Receita cobra os senadores, mas é o Senado quem paga. Ocorre que a direção da casa afirma que a falha não foi dos senadores, mas do próprio Senado, que não lançou os descontos em folha. Então, você e eu, seu pai, sua tia, seu vizinho e o feirante da esquina é que vamos pagar. Isso se nenhuma dessas pessoas citadas for senador, é claro.

Presidente do Conselho de Ética da Presidência se demite, mas não parece claro o porquê


Leio matéria da Folha de São Paulo na qual sou informado que o presidente da Comissão de Ética da Presidência da República renunciou ao cargo. Isso logo no título. Ao ler, penso: mas, logo o cara da ética! Fico imaginando, é claro, que se o sujeito responsável pela fiscalização ética do governo se demite, pode ser sinal que as coisas estão tensas e um tanto feias nas hostes governistas. Ética, todos sabemos, é algo que não anda por aí dando em árvores e todos gostaríamos que, principalmente, o governo primasse por procedimentos éticos. O nome do demissionário é Sepúlveda Pertence, um homem público com história: foi até presidente da Suprema Corte brasileira, o STF.

Logo fico sabendo que o motivo foi a negativa, por parte da presidente Dilma Rousseff, de reconduzir ao cargo dois membros do conselho. São eles Marília Muricy e Fábio de Sousa Coutinho. A revolta de Pertence parece, na matéria, está vinculada a esse fato representar algo inédito. Até parece que o jurista não consegue lidar bem com ineditismos, o que pode fazer um desprevenido beócio pensar que o sujeito se enquadra entre aquelas pessoas que temem o desconhecido etc. Ou, parece plausível, pode fazer outros pensar: ele se sentiu desprestigiado, pois indicou os dois membros rejeitados pela decisão presidencial. Ele mesmo disse, na matéria: "Lamento a não recondução, que, ao que me parece, é um fato inédito na história da comissão, dos dois nomes que eu tive a honra de indicar".

Ecologia sem revolução cultural é fantasia, diz antropólogo


Obra de Hélio Nomura 
Há um interessante debate nascendo. Finalmente está se falando seriamente das questões ambientais, não necessariamente com aquele discurso babão que caracterizou e caracteriza os chamados “ecochatos” (aquele tipo de gente que oculta suas dificuldades pessoais e seus compromissos poluentes sob a bandeira de luta ecológica e repete, dia após dia, a cantilena da preservação ambiental, quando, na verdade, não consegue preservar sequer o bom senso e despoluir a própria consciência). Em entrevista concedida a Júlia Magalhães, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro bota o dedo na ferida dos já citados chatos ecológicos e vai mais fundo, apontando o polegar acusador para o chamado “capitalismo verde”, que fala muito de meio ambiente, com o objetivo de fazer uma boa imagem para a plateia, mas que, na prática, quer que as árvores, passarinhos, tartarugas, baleias e, principalmente, os humanos, se lixem. O importante para o empresário dessa facção é, como sempre, lucrar. E só.

Segundo Viveiros de Castro, “(...) as corporações não são capazes de ir além do “capitalismo verde”, fingindo responsabilidade social e ambiental”. E é verdade. Você já imaginou como se conjuga lucro e preservação ambiental numa sociedade na qual o capitalismo é essencialmente selvagem, não dando sequer espaço de pensamento ou respiração para quem dela participa? É possível que o empresário até seja bem intencionado, consciente etc., mas, na prática, no cotidiano neurótico proporcionado pelos pesadelos com a concorrência e pela necessidade de conquistar metas cada vez mais exigentes, torna-se um predador nato. Além do mais, uma sociedade dita de consumo não pode, em hipótese nenhuma, preservar algo: tudo tem que cair no liquidificador das compras e vendas desenfreadas, com a circulação predominante de produtos belos, inúteis e, não raro, nocivos à saúde e à vida. Vamos falar de ecologia nesse ambiente? Me poupe.

sábado, 22 de setembro de 2012

Lula, o puro, o inocente

Não sei do que você está falando, companheiro!
Matéria na Carta Maior desce a ripa na Veja por conta de conhecida matéria da revista na qual o tal Marcos Valério acusa Lula de ser o chefão do esquema do mensalão. Bem, a verdade é que tanto o Valério quanto o seu advogado negam tudo isso e não há registro formal e material desse diálogo no qual aconteceu a acusação. Mas, lembra Marco Aurélio Weissheimer, autor do texto, que alguns colunistas prestigiados pela velha mídia essa suposta mentira foi transformada em verdade inquestionável.

Ok, você venceu, Weissheimer, é difícil trabalhar sobre declarações que são negadas veementemente por seus autores. Mas, cá para nós, observemos o fato em si: você realmente acredita que o caríssimo presidente estava lá, como um boneco de ventríloquo, sem saber de nada, alienado e puro como um recém-chegado ao mundo da política? Então, ele não sabe como funciona o jogo? Logo ele que cresceu e engordou com tanta experiência no ramo?

Como parece claro que havia um esquema de propinas, apelidado de mensalão, será que o bambambam da Nação ficou tão boquiaberto quando soube de tudo? Difícil crer e, ainda assim, crendo, difícil não dizer que o homem é muito incompetente a ponto de tudo isso se passar debaixo de suas barbas?

Mentiras, nós vos amamos



Mas, até tu, salvador?
 Um candidato a prefeito de Curitiba exibiu vídeo no qual carros e servidores públicos são flagrados com material de campanha de um determinado candidato (o atual prefeito da cidade). O carro era uma Kombi da prefeitura, com direito a adesivo de identificação na porta, que carregava bandeiras e também funcionários da prefeitura, que deveriam agitá-las durante o horário de almoço. Um desses servidores, uma servidora, aliás, declarou que é obrigada a fazer campanha para o bom moço que é prefeito e foi vice do atual governador do Paraná, que também foi prefeito da capital e que, dizem, quando se elegeu prefeito pela segunda vez, jurou ficar até o final do mandato. Não ficou.

Ora, ok, isso se chama uso da máquina pública e, pelo que já observei, acontece em todas as eleições, não apenas em Curitiba ou no Paraná. Mas, não sei bem o porquê, em todas as eleições a oposição acusa a situação de uso da máquina pública, como se isso fosse novidade e como se, caso eleita, a oposição não fosse fazer a mesma coisa na próxima eleição. E, pior, vejo gente indignada porque o tal candidato está usando a máquina pública, quando isso é óbvio e, com boa probabilidade, essa gente indignada faria coisa semelhante na mesma situação.

É engraçado esse jogo de disse-não-disse, de faça o que digo, mas não o que faço. Parece que vivemos fingindo ser a realidade coisa totalmente diferente do que é, que as coisas funcionam de um modo ideal e perfeito, enquanto funcionam do modo mais imperfeito possível. Tudo indica que isso faz parte de uma forma de vida caracterizada pelo “jogar para a plateia”, isto é, se fazer de bom moço (ou boa moça), quando, na intimidade, sua moral não valha um tostão furado.

Empresários de todo o mundo, uni-vos contra os “colaboradores”


Má notícia para empresários espertos (cheios de expertise em tirar o sangue de seus “colaboradores”): o TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu que funcionário que fica à disposição do empregador, fora do horário de expediente, com um telefone celular, deve receber remuneração por esse extra. Um bancário de Curitiba entrou na justiça e ganhou a parada em cima do HSBC.

Segundo informações colhidas, é a segunda vez que a justiça dá razão ao funcionário (colaborador é a mãe) por um caso como o citado. Se o patrão quer faturar o dia todo em cima do assalariado, que pague por isso. Afinal, a revisão da CLT deixou menos clara a diferença entre trabalhar dentro das dependências da empresa e fora dela. Com as novidades tecnológicas da área de informação, isso ficou meio confuso mesmo. Você pode ser explorado pelo patrão na empresa, mas também pode sê-lo em casa ou em qualquer outro lugar. Basta um telefone celular, um laptop ou qualquer outro aparelho diabólico desses.

Conversei, há pouco mais de um ano, com uma jornalista. Ela me disse que, com a internet, sua vida virou um inferno, pois acabava ficando à disposição do jornal o dia todo. Cumpria cinco horas na redação e dezenove fora dela. Isso sem contar com o telefone móvel, que permite que o patrão te ache até mesmo no banheiro ou na alcova.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A concentração de riquezas, as elites revoltadas e a doença como fonte de lucro


Na mesma linha do raciocínio que fundamentou o artigo anterior (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2012/09/pela-pena-capital-para-banqueiros.html), cabe pensar na concentração da riqueza nos últimos anos. Um sujeito esperto da área de saúde lembra, com base numa tabela de informações confiáveis, que os hospitais menores estão falindo e os grandes prosperando cada vez mais. Isso, parece claro, não acontece apenas na Saúde. Acontece em todos os ramos.

Desde o estabelecimento do golpe neoliberal, iniciado em 1979 na Inglaterra da Sra. Tatcher e continuado nos Estados Unidos do Sr. Reagan (Não esquecer que o golpe foi ensaiado no Chile, em 1973), as pequenas iniciativas foram literalmente sufocadas pelo grande capital. Christropher Lasch chegou a publicar um livro chamado “A revolta das elites”, falando justamente que as elites econômicas começaram a fechar o cerco sobre o resto do mundo depois dos “anos de ouro” que duraram do New Deal (o estabelecimento da lógica keynesiana na economia mundial) até o neoliberalismo britânico/estadunidense. Tudo indica que, durante essa era dourada houve, em primeiro lugar, a salvação do capitalismo, ameaçado pela loucura neoliberal que levou à crise dos anos 1930, e, da mesma forma, uma distribuição de renda jamais vista na história da supremacia do capital (Embora seja importante citar que é algo irresponsável falar rapidamente desses dois fatores, até porque há quem proponha pensar que a crise citada foi produzida apenas para facilitar uma concentração de renda estratégica para aquele momento).

Pela pena capital para banqueiros corruptores e políticos corrompidos


Fico sabendo que o arquivo DBF, um arquivo de base de dados, é dos mais antigos que existem. Data ainda dos anos 1980, quando falar sobre um computador, para a maioria de nós, era como falar de algo como uma tábua de hieróglifos. No entanto, toda a estrutura da saúde brasileira trabalha com esses arquivos. Diz um especialista que isso ocorre porque não há muitos recursos para a saúde. Veja, estou dizendo exatamente isso: não há recursos para a Saúde. Mas, diz ele, há recursos para a arrecadação de impostos, muitos recursos. Há bons computadores e programas de ponta para melhor arrecadar e detectar os sonegadores. Na Receita Federal não se usa apenas arquivos DBF. Ora, deduzo, se há recursos para isto, então deve haver uma boa arrecadação, uma excelente arrecadação. E a matéria que deu origem a meu texto PT, Partido dos Trabalhadores ou POT, Partido que Odeia os Trabalhadores? (http://luizgeremias.blogspot.com.br/2012/09/pt-partido-dos-trabalhadores-ou-pot.html) afirma exatamente isso. Mas, tudo indica que essa fantástica arrecadação não vai para a saúde, ou a esmagadora maior parte não vai.

Para onde vai o dinheiro arrecadado?

Quase metade vai para banqueiros, pode acreditar. Quando digo quase metade, não exagero. Isso significa dizer que tudo aquilo que você não pode ter, toda a vida que você não pode dar a seu filho e/ou filha, todos os presentes que você gostaria de dar a quem você ama, tudo isso não é possível porque os recursos para isso vão para agiotas, os banqueiros. Isso, para pagar uma dívida que você não fez. Juros que você não contratou com gente que você nunca vai conhecer.

O dinheiro que te falta para cuidar de si está com eles. Quando teu filho ou filha pede algo que você não pode dar por falta de dinheiro, é porque eles estão com o dinheiro. O dinheiro da dívida que você nem conhece quem fez. Os recursos financeiros que você não tem para gerar mais recursos financeiros e poder melhorar a sua vida, eles sabem usar muito bem, mas não a favor de ninguém mais do que eles próprios.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

PT, Partido dos Trabalhadores ou POT, Partido que Odeia os Trabalhadores?



Pergunta: Quem paga mais Imposto de Renda?
Resposta: Você, trabalhador.
 Há tempos que tem se clamado contra a taxação absurda que o Imposto de Renda impõe sobre boa parte da população, essa camada extensa e larga que se conhece genericamente por “classe média”. Pois o jornal Valor Econômico publicou recentemente matéria que fala exatamente sobre isso. E o quadro é assustador, bem pior do que se pensava.

Diz a matéria que, “Segundo levantamento realizado pela consultoria Ernst & Young Terco, se os valores da tabela tivessem sido corrigidos de acordo com a inflação entre 1998 e 2011, uma pessoa com salário base de R$ 4.465 pagaria hoje 44% menos de Imposto de Renda. A gula do Leão é tão grande que, nesses 13 anos, o total de tributos pagos pelos trabalhadores aumentou 369,8%, passando de R$ 14,6 bilhões para R$ 68,8 bilhões em termos absolutos. Quando descontada a inflação do período, de 134,2%, o salto no IR sobre a renda do trabalho foi de 100,6%”. Pois é, isso é um acinte.

O mais interessante, ainda segundo o jornal, é que, com isso, o poder de compra cai e a economia emperra. A conta, como sempre, cai sobre quem trabalha, nunca sobre quem especula. Ora, o governo do PT está aí há dez anos e a situação somente piorou nesse tempo. Em outras palavras, se os salários tiveram ganhos, o imposto come tudo. Isso significa que o governo brasileiro odeia a população trabalhadora. Mas o governo não está nas mãos do Partido dos Trabalhadores? Quem sabe não se deva incluir entre o P e o T do PT o verbo “Odeia”: falamos, então, do “Partido que Odeia os Trabalhadores”.

Isso é a tal Esquerda? O que é isso companheiros!?


Leio matéria da Folha de São Paulo na qual sou informado que “um projeto de lei foi alterado propositalmente para influenciar o julgamento do mensalão e beneficiar alguns dos réus”. A informação não partiu de um fofoqueiro ou de uma fonte secreta. Quem disse foi Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Todos sabemos que se uma figura pública como essa diz alguma coisa deve ter provas, pois dar declarações irresponsáveis não é recomendável nesses casos.

Britto afirma que se trata de "um atentado veemente, desabrido, escancarado" à Constituição e refere-se à Lei 12.232, sancionada, em 2010, pelo então presidente Lula. A tal lei trata da contratação de publicidade por órgãos públicos e, segundo a matéria, “durante sua tramitação na Câmara foi alterado por deputados do PT e do PR, partidos que têm membros entre os réus”. O ministro do STF mostra não ter papas na língua e sentencia que isso aconteceu para legitimar as ações pelas quais os réus estão sendo acusados no julgamento. Que feio.

A Lei 12.232/2010 regulava, em seu projeto, os repasses do "bônus-volume", comissões que as empresas de comunicação oferecem às agências pelos anúncios veiculados para, é claro, incentivá-las a anunciar novamente nos mesmos veículos. A lei teve origem em um projeto apresentado pelo ex-deputado e hoje ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que é do Partido dos Trabalhadores (PT). Isso em 2008.

sábado, 1 de setembro de 2012

Seguridade Social e…, por Maria Lucia Fatorelli

18/11/2010


Maria Lucia Fatorelli

Uma das mais importantes conquistas sociais alcançadas com a Constituição Federal de 1988 foi a institucionalização da Seguridade Social, organizada com base no tripé formado pelas áreas da Saúde, Previdência e Assistência Social. Esse tripé tem sido o mais relevante instrumento de distribuição de renda do país, representando também a garantia, ainda que parcial, de direitos fundamentais básicos a milhões de brasileiros que não tem como recorrer aos sistemas privados de saúde e previdência.
O pagamento de juros e amortizações da dívida consumiu em 2009 a fabulosa quantia de R$ 380 bilhões – mais de R$ 1 bilhão por dia – o que representa 35,57% do Orçamento da União, conforme Gráfico 2. Cabe ressaltar ainda que essa relevante cifra não considerou a chamada “rolagem”, isto é, o pagamento de amortizações por meio da emissão de novos títulos. Caso computada a rolagem, os gastos com a dívida consumiram quase a metade dos recursos orçamentários: 48,24%

À sombra da metástase do capitalismo, por Nei Duclós


Mar 16th, 2012, por Nei Duclós

O Capitalismo nasceu de uma reação ao engessamento econômico e social promovido pelo absolutismo e o poder clerical. Mudou o paradigma das ações ao aproveitar a sem cerimônia das potências em relação ao resto do mundo e eliminou as fronteiras para desencadear o que interessava, o lucro. Mas desde sua origem oferece uma dupla face do mesmo rosto. Para se justificar diante dos poderes tradicionais imperiais, precisava de uma ética, largamente estudada e de maneira brilhante por Max Weber. E para ser fiel à sua natureza agiu por metástase, o crescimento geométrico da exploração e da riqueza, detectados por Karl Marx no século 19.

Romper a lógica do dominó sinistro, em que a metástase vampiriza a sobrevivência das nações, e que começa na especulação e acaba no desemprego, é tarefa que se impõe
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, o clássico livro de Max Weber, tem como contraponto a obra de Marx, notada mente seus dois polos complementares, o popular (O Manifesto do Partido Comunista de 1848) e sua intrincada bíblia, O Capital. O que Weber vê como um conjunto de princípios que levam ao equilíbrio social e à riqueza, Marx vê como uma corrida em direção ao abismo. Talvez ambos tenham eliminado uma das faces do rosto único. Para efeitos deste ensaio, Weber não apontou o desvirtuamento do capitalismo e Marx não celebrou seus princípios, apesar de sua grande admiração pelo assunto, como já notaram inúmeros autores, que colocam o Manifesto como o maior elogio à burguesia.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A greve e a desinformação jornalística


Artigo publicado em Viomundo

Celso Vicenzi

Mas, alguns jornalistas

A palavra “mas” é uma conjunção coordenada adversativa, utilizada, pelo que se lê nas boas gramáticas, em situações que indicam oposição, sentido contrário. Tem sido empregada, também, com muita insistência, por boa parte dos jornalistas, principalmente os mais conhecidos colunistas e comentaristas de jornais e tevês – nacionais e regionais –, para turvar a realidade. Virou quase um mantra jornalístico.

“A greve é um direito assegurado pela Constituição ao trabalhador brasileiro, mas…” não deveria prejudicar a população que necessita dos serviços da categoria, não deveria impedir o direito de ir e vir da população (muito comum quando ocorre no transporte coletivo); é justa, “mas” os alunos são os maiores prejudicados (e a culpa cai no colo do professor e nunca do prefeito, governador ou presidente). “Mas” a crise na Europa preocupa e não é hora de o governo brasileiro conceder reajuste de salário aos servidores. Esta a desculpa mais recente. Como se conclui, a greve é um direito do trabalhador, “mas” só poderá ser exercida se não ocasionar problema para ninguém, seja o empresário, seja o governo, seja o povo.

E se não houver saída alguma?


By Immanuel Wallerstein– 17/08/2012

Immanuel Wallerstein especula sobre as raízes da “crise estrutural do capitalismo” – e a dura disputa pelas alternativas

Tradução: Antonio Martins

A maior parte dos políticos e dos “especialistas” tem um costume arraigado de prometer tempos melhores à frente, desde que suas políticas sejam adotadas. As dificuldades econômicas globais que vivemos não são exceção, neste quesito. Seja nas discussões sobre o desemprego nos Estados Unidos, os custos alarmantes de financiamento da dívida pública na Europa ou os índices de crescimento subitamente em declínio, na Índia, China e Brasil, expressões de otimismo a médio prazo permanecem na ordem do dia.

Mas e se não houver motivos para elas? De vez em quando, emerge um pouco de honestidade. Em 7/8, Andrew Ross Sorkin publicou um artigo no New York Times em que oferecia “uma explicação mais direta sobre por que os investidores deixaram as bolsas de valores: elas tornaram-se uma aposta perdedora. Há toda uma geração de investidores que nunca ganhou muito”. Três dias depois, James Mackintosh escreveu algo semelhante no Financial Times: os economistas estão começando a admitir que a Grande Recessão atingiu permanentemente o crescimento… Os investidores estão mais pessimistas”. E, ainda mais importante, o New York Times publicou, em 14/8, reportagem sobre o custo crescente de negociações mais rápidas. Em meio ao artigo, podia-se ler: “[Os investidores] estão desconcertados por um mercado que não ofereceu quase retorno algum na última década, devido às bolhas especulativas e à instabilidade da economia global.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Homens...


Leio que um cantor sertanejo recentemente desquitado teria declarado que gostaria de casar com um homem. Não é o caso do dito ser um homossexual militante, pelo menos não manifestamente. Ele diz que gostaria de “transar” com mulheres, mas casar com um homem, pois, é claro, parece mais simples, já que ele é homem e, assim, entende bem o que outro homem quer. Segundo o sujeito, as mulheres seriam complicadas demais.

Ora, cá para nós, esse é o desejo da maior parte dos homens que conhecemos. Dizem que adoram mulheres, mas, a mulher, para eles, na verdade, não passa daquela carne inútil distribuída em tono da boceta, assustadora demais para ser adorável. Esses caras parecem gostar mesmo é de iguais e, se pudessem, ficariam entre eles mesmos, casadinhos, namorandinho, jogando futebol ou torcendo, tomando uma cervejinha, falando de carros e contando, uns para os outros, o que fazem com a citada carne inútil. Não admitem, porém, ser chamados de veados, bichas, bibas, boiolas ou qualquer outro nome desses que qualifique o sujeito que odeiam mulheres. Tudo bem, rótulos são chatos mesmo.

sábado, 28 de julho de 2012

Caveirão lamenta morte de menina


Ele lamenta muito e a gente, é claro, acredita muito
O Bope e seu Caveirão lamentam muito a morte da menina Bruna da Silva Ribeiro, de 11 anos, atingida por uma bala durante invasão à comunidade da Quitandinha, em Costa Barros, Zona Norte do Rio. Só que dizem que vão continuar a “pacificar” as comunidades, no mesmo estilo. O que não dizem é que, na verdade, estão pouco se lixando, pouco ligando para as vítimas de suas “operações”. Só lamentam porque não fica bem não fazer isso.

Na nota que a polícia redigiu para expressar sua consternação, porém, não se assume o assassinato e, como sempre, a imprensa o atribui a uma bala “perdida”. Ora, todo carioca sabe que em noventa por cento dos casos, a tal bala “perdida” sai, nessas invasões eufemisticamente chamadas de “operações”, dos canos das armas policiais. Os que não sabem não o fazem por que não querem saber disso mesmo. Para eles, costumeiramente, a morte de mais um favelado traficante – só não chamaram a menina de traficante porque não fica bem – é um bálsamo. A polícia está cumprindo o seu dever, dizem.

Conta-se que as armas dos policiais foram recolhidas para averiguações. Só que, há quem jure, se trata de um ato simbólico, pois, a não ser que Jesus Cristo desça à terra, a polícia jamais assumirá uma morte de uma menina de 11 anos.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O governo “quinta-coluna”


Olhando bem, até que se parecem, excessivamente
"Reprimir manifestações legítimas é aplicar o projeto que nós derrotamos nas urnas", afirma a Central Única dos Trabalhadores (CUT) sobre a postura do governo na greve dos servidores públicos. A CUT é uma entidade sindical ligada ao Partido dos Trabalhadores, que ocupa o Governo Federal, hoje, no Brasil. Se a CUT diz isso, há que se pensar.

No tempo da ditadura militar, nós sabíamos que lutávamos contra um inimigo claro e declarado. Durante os governos de Color e FHC, sabíamos o mesmo. Mas, neste momento, em que ex-companheiros de luta estão no poder, surpreende e assusta perceber que esses mesmos ex-combatentes hoje se tornaram iguais ou mesmo piores do que os ditadores militares ou que os tucanos e pefelistas. Há quem diga que piores, pois traidores e há quem jure que se trata de um governo “quinta-coluna”, o que significa referir uma das maiores ofensas que um militante de esquerda pode ouvir.

O poder dos medíocres

O mundo é dos medíocres, alguém me disse uma vez. O pior é que, enxergando a realidade com um mínimo de preconceito, essa afirmação não está distante da verdade.

Somos praticamente todos, hoje, medíocres. Isso significa dizer que nos orientamos pela média, pelo padrão de comportamentos gerais ou, mais especificamente, pelo padrão de pensamentos e sentimentos da maioria. A mídia, também conhecida como “media”, um termo da língua inglesa, uniformiza valores, e até mesmo desejos, incluindo as sensações e sonhos, algo que, em princípio, deveria ser absolutamente subjetivo e variável. Mas, parece óbvio, não é (*).

O medíocre diz: “eu gosto disso” ou “eu odeio aquilo” com tanta convicção que parece claro que acredita piamente no que diz, principalmente no “eu”. O medíocre cultua o eu acima de todas as coisas e o que vê no espelho não é algo compreensível ou explicável pela catóptrica (na física, ramo da ótica que toma como objeto a reflexão dos raios luminosos nos espelhos – do grego katoptriké, referente aos espelhos), mas sim, curiosamente, pela psicologia (ramo do conhecimento dedicado ao estudo dos fatos psíquicos, tanto no que diz respeito à consciência quanto ao comportamento).

Mas, por que é assim?

Sindicalista desmente governo e diz que Dilma, Belchior & Cia não dizem a verdade


Pedro Delarue é presidente do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil) e mostra, em números, o quanto o governo do Partido dos Trabalhadores tem torcido a verdade. Segundo ele, o governo gastava, em 2011, R$ 111 bilhões e não R$ 197 bilhões, como os ministros têm dito. Isso significa dizer que, para conceder o reajuste de 22% que vem sendo proposto pelos servidores em greve, seriam necessários apenas R$ 24,5 bilhões, e não os R$ 60 bilhões divulgados – chega-se a falar até em R$ 90 bilhões!

Da mesma forma, Delarue desmente os petistas governistas no que diz respeito ao percentual do PIB (Produto Interno Bruto) que é utilizado para pagar os servidores. De 1,7% no governo dos tucanos, caiu para 1,1% no governo do Partido dos Trabalhadores. Segundo matéria do jornal Valor Econômico, o governo precisaria de R$ 20 bilhões para manter o percentual no mesmo nível, algo bem próximo dos R$ 24,5 bilhões citados no parágrafo anterior.

O presidente do Sindifisco poupa o ex-presidente Lula, que teria valorizado bem mais o funcionalismo, e não aceita o argumento de crise internacional para segurar os reajustes, pois durante a crise de 2009 os acordos de reajustes salariais foram honrados e a crise daquela época não foi assim tão mais leve do que a atual.

Para completar, o sindicalista lembra que é fundamental haver boa remuneração para valorizar o servidor e, acima de tudo, para fortalecer o mercado interno, fator essencial para evitar o chafurdamento na crise.

O secretário de trânsito pode infringir a lei de trânsito e seguir impune?


Pois é... um tanto irônico isso
Leio no portal de notícias de Margarita Sansone que o secretário municipal de Trânsito da Prefeitura de Curitiba, Sr. Marcelo Araújo, soma mais de 180 pontos de infrações de trânsito em sua carteira de motorista. O curioso não é apenas o fato do sujeito ser justamente o responsável pela ordem no trânsito da cidade ordeira de Curitiba. O pior é que, com tantos pontos, fica a suspeita, ou a quase certeza, de que se o dito não teve a carteira cassada foi porque “sabe o caminho das pedras” ou, como se dizia no Rio de Janeiro, “conhece como se dá o pulo do gato”.
Mais: segundo informações da jornalista, nunca fez os cursos de reciclagem os quais os motoristas mortais são obrigados a fazer com muito, muito menos pontos negativos na carteira.

Inacreditável e um tanto revoltante, é preciso dizer.