sábado, 31 de dezembro de 2011

A ecologia é um bom negócio, infelizmente para nós

E salve o verde!

Leio num jornal curitibano que estão construindo edifícios “verdes”, construções, segundo o jornal, “ambientalmente corretas do ponto de vista dos métodos de edificação, dos materiais e do uso de energia e água”. E mais: custam entre 5% e 8% mais do que os edifícios “não verdes”. Festa para todo um segmento do mercado que vive desse discurso “verde”. A história de “salvar o planeta” realmente dá lucro.


O curioso é que os tais edifícios “verdes” são e serão feitos para abrigar as entidades que mais colaboram para destruir a natureza e para eliminar qualquer possibilidade de qualidade de vida: grandes corporações, as únicas capazes de pagar o custo de serem “ambientalmente corretas” no mundo capitalista. Fico imaginando a Monsanto num prédio desses, ou mesmo a Petrobras. Com certeza deve haver escritórios de madeireiras instaladas em lugares assim e vasos com flores transgênicas. Ou seja, a linha de frente das empresas preocupadas com o meio ambiente.


E mais curioso ainda é perceber que dentro dessas construções tão ecológicas haverá pessoas absoluta e completamente perfumadas, vestidas com roupas geralmente compradas em lojas que multiplicam o preço de seus produtos graças à etiqueta, sendo que estes são, muitas vezes, feitos por pessoas que recebem pagamentos irrisórios e vivem de forma completamente insalubre por conta disso. Mas isso não agride o meio ambiente.


A única “naturalidade” presente nesses ambientes deve ser, provavelmente, a selvageria. Via de regra, é um “colega” querendo comer o outro, aguardando o momento certo para a rasteira ou para processar o chefe por qualquer tipo de assédio. Geralmente isso se dá de forma elegante, com pose ética e tudo. Prova irrefutável que a espécie dos lobos vestidos de cordeiros não está ameaçada de extinção.


Trata-se, tudo indica, de mais um bom negócio com a marca “ecológica”. As empresas buscam a tal certificação de “ecologicamente corretas” porque isso se tornou uma circunstância de mercado. A que não se mostrar “ecologicamente correta”, está fora. É certamente mais uma vantagem competitiva para obter mais lucratividade do que propriamente uma inspiração virtuosa. Dá a impressão de que o verde que mais interessa nesses casos, é o do dólar.  


Fica a sensação desconfortável de que toda essa conversa verde não existe para efetivamente melhorar a nossa vida. Os empresários ficam falando de pensar globalmente e agir localmente, mas, na prática, pensam localmente e agem globalmente. Em outros termos, pensam muito no próprio cofre e lançaram seus tentáculos por praticamente todo o planeta. Deve ser por isso que querem salvá-lo. Depois de salvar, botam uma placa: PROPRIEDADE PARTICULAR, NÃO ENTRE!

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