sábado, 17 de setembro de 2011

Marketeiro explica por que a grande mídia atrasa desenvolvimento do esporte no país

Por mais incrível que pareça, isso é uma imagem de uma transmissão de um jogo de vôlei
Segundo Eduardo Esteves, consultor de marketing esportivo, a Rede Globo, apesar de ser o veículo de mídia que mais investe no esporte nacional, está prejudicando bastante o desenvolvimento das modalidades de esporte olímpico, simplesmente por não fazer coberturas decentes, não transmitir jogos e não divulgar os patrocinadores de atletas e equipes. Apenas o futebol parece preservado, tudo indica que por ser o mais lucrativo, atraindo um grande número de espectadores.

Esteves informa que os investimentos no esporte já ultrapassam os R$ 2,5 bilhões de reais e, com os eventos que vêm aí, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, esse número tende a crescer. Ele esclarece ainda que a importância da mídia é imensa para o desenvolvimento do esporte. Somente com a exposição midiática os empresários se interessam em investir, é claro que, principalmente, pela visibilidade alcançada durante transmissões televisivas, mas também pela citação em noticiários esportivos.

Há problemas com esse modelo. Torna-se difícil não atender as demandas dos veículos de comunicação, principalmente da Rede Globo, que acaba interferindo diretamente na qualidade técnica do esporte. Um bom exemplo é o do fim da “vantagem” no vôlei. Isso ocorreu por conta da demanda televisiva de um jogo mais rápido, com pontos disputados mais objetivamente. Perdeu o vôlei, para o qual o expediente da vantagem contribuía com uma dificuldade especial para os jogadores, obrigados a se concentrar para não perdê-la ou, em outros termos, para não deixá-la para o adversário, o que gerava uma disputa mais atraente e aguerrida, mas também mais demorada. O jogo ficou mais rápido, conforme dita o ritmo televisivo, mas deixou de contar com um expediente de dificuldade que lhe dava muito mais intensidade e emoção.

No mundo do basquete, a Globo exigiu, para transmitir a final da Liga Nacional de 2012, que essa final fosse realizada em apenas um jogo, contrariando o modelo de disputa anteriormente adotado, que previa cinco jogos. Ou seja, ganha a equipe que estiver melhor naquele dia, naquela hora, naquele jogo. Justiça? Qualidade? Para quê? Que vença o mais sortudo ou o que melhor se preparou para jogar a sorte em apenas um jogo. 


A situação crítica é definida pelo presidente da Liga Nacional de Basquete, Kouro Monadjemi: "Não adianta ter um campeonato perfeito no qual ninguém investe. Se tivermos que sacrificar o lado técnico pelo econômico, vamos fazer". Lamentável, mas sincero.

 

Depois que Kuerten se foi, a mídia aberta deu as costas para o tênis
O vôlei tem ganhado mais atenção, mas a regra “global” de não fazer qualquer menção a empresas patrocinadoras traz mais dificuldades. Nas entrevistas, a instrução é focar no rosto do atleta, cortando as imagens da logomarca do patrocinador. O mesmo acontece no futebol de salão e no automobilismo, segundo Esteves. O tênis é, desde a aposentadoria de Gustavo Kuerten, totalmente ignorado, com espaço apenas nas TV fechada. Logo, é claro que será bastante difícil surgir outro jogador como Kuerten. 

Sem imagem na TV, sem patrocínio.

Como seria diferente?

Ora, o que esperar de diferente no mundo capitalista da periferia? O que esperar além da queda da qualidade e da inconfundível barbárie em todos os níveis? Onde só se leva em conta o lucro e a contabilidade financeira, não há nada mais em vista. 

Depois, não é exatamente a Rede Globo a culpada, pobrezinha. O que é essa empresa senão a imagem emblemática de um grande parasita que vem se alimentando de tudo o que é qualidade na sociedade ocidental? A grande mídia não passa de um verme que suga e polui, se alimentando das singularidades e as destruindo, cumprindo seu papel nefasto de atacar o organismo que o mantém vivo.

É o caso de lembrar do conceito de Produção Destrutiva, de Mészáros, e de levar a sério a ideia de que a barbárie, não a charmosa barbárie do cinema ou das manifestações culturais do underground, mas a verdadeira barbárie, aquela que nem os gregos conseguiram nomear decentemente, define a proposta da grande mídia capitalista. 

Para ler o texto de Eduardo Esteves, acesse http://br.esportes.yahoo.com/noticias/-opini%C3%A3o--esportes-com--ajuda--global.html

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