terça-feira, 12 de julho de 2011

Refletindo com a leitora indignada

Olha essa cabeça! Saiba que ela pode explodir!, cantava Walter Franco
A leitora indignada postou outro comentário (...), o que me leva a continuar com o debate. Acho todo e qualquer debate importante. Comunicar é estabelecer conflitos, não solucioná-los. Isto cabe às ditaduras e à imprensa, que certamente os precisa solucionar de acordo com os interesses de algum patrocinador (não existe nenhum sistema mais totalitário e corruptor do pensamento do que o capitalismo). Não tenho patrocinadores e, por isso, não tenho interesse em solucionar nada, o que significa que gosto de me comunicar de verdade.

A leitora me desculpe, não tive a intenção de ofender. Tenho a compulsão do debate, da exposição de argumentos e ideias e, como já disse antes, é possível que por vezes me exceda. Mas, vamos pensar.

Vemos o mundo de forma diferente, parece óbvio. E, com o debate incisivo, podemos chocar posições consolidadas e, por vezes, contrárias ao enriquecimento do pensamento. Por isso, peço que não se ofenda, pois esse não é objetivo. Se há provocações, e há de lado a lado, elas servem para puxar o debate, não para intimidar. E veja a leitora que acabamos debatendo e seguindo a conversa.

Veja, leitora, meus dias também são cheios, como os de todo mundo nesta vida urbana. Também não sigo nenhum blog, a não ser este, no qual publico textos meus e outros que acho interessantes repercutir. Não escrevo para multidões, mas para contribuir com o pensamento daqueles que gostam de pensar. Fico feliz que voltou para ver o assentamento aqui e pensar. Não sei por onde andam os leões de chácara, na verdade nunca os vi. E, retirante, somente eu. Não sei qual o motivo do preconceito com retirantes e assentamentos.

Seus comentários mereceram atenção, apenas isso, pois há diferenças em nossos horizontes de visão e isso é bom. Não houve a necessidade de varreduras quaisquer, mas sim a de apresentar uma argumentação que não ofendesse, o que, agora vejo, não foi bem feito. As provocações foram entendidas como ofensas. De todo modo, tenho tomado como provocações as suas provocações.

A leitora pode ficar tranquila que também não a conheço nem fiz qualquer pesquisa para saber quem é. Isso não me interessa. Se acertei algo sobre suas particularidades intelectuais é pelo fato de que estão óbvias demais.

Não defendo qualquer sistema político, pode ter certeza. Somente, como a leitora deve tentar fazer, tento estabelecer um ambiente propício à formação de uma consciência crítica.

Quanto a saber qual minha escola, em que bases me apoio e em que sou formado, creio ser desnecessário saber, pois títulos, endereços teóricos e bases anunciadas servem apenas para obnubilar a compreensão. Infelizmente, também apareço no google, mais do que seria necessário. Não tenho fotos na internet, ou certamente as tenho, mas tiradas por mim ou por pessoas queridas que as publicam em locais específicos. Se a leitora se interessar, tenho um trabalho sobre hip-hop publicado no sítio "bocc" e outro, uma dissertação de mestrado indicada para publicação, que está no mesmo sítio e trata da subjetividade urbana a partir da midiatização da violência urbana no Rio de Janeiro, cidade em que nasci e vivi a maior parte da minha vida. Fora isso, os textos publicados aqui e em outros locais, como no Observatório da Imprensa. Mas, não ando publicando nada fora daqui. Não ando muito interessado. 

Se interessa à leitora, desenvolvo uma pesquisa sobre a cultura underground, a cultura jovem da metade do século XX. Já tenho material escrito, mas não tive motivo ainda para divulgá-lo. Escrevi quatro romances, mas pouco fiz para publicá-los, ainda mais sabendo que teria que pagar a publicação, como aconteceu, veja bem, até como o mitológico recordistas de vendagens Paulo Coelho. Ele publicou o primeiro livro pela editora Eco, no Rio de Janeiro, que nem deve existir mais.

Engraçado é que a leitora acha muito “legal” ter o dia cheio e ter muitos amigos, além de ser avaliada por bancas acadêmicas. Muito legal mesmo, uh, massa, como se diz por aí. Os tais guevarinhas não conheço, aliás, deploro o tal “Che”. Me soa como uma marca, do mesmo modo que Coca-Cola ou Brastemp. Suspeito da verve revolucionária do tão incensado cubano. O fato dele ter dado a vida por uma causa não diz muito. Há idiotas que fazem isso, embora fazer isso não faça de ninguém um idiota.

O preconceito é um pré-conceito e não uso conceitos preconcebidos. Todos estão fundamentados, como já mostrei e demonstrei.

Tudo de bom para a leitora, de quem também não disse o nome em qualquer momento, não por medo do azar, mas por respeito. Repito que não se ofenda e continue estudando. Não é necessário usar palavras "difíceis" nem construções "elaboradas", as pessoas podem se entender sem essas coisas artificiais. Tenho certeza de que a leitora ainda se desenvolverá muito no que diz respeito à formação de uma consciência crítica.

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