quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Branca de Neve não existe, muito menos Papai Noel

Cuidado, pois se não existe Branca de Neve, tá cheio de vilões e bruxas andando por aí
Hoje, ouvi um médico reclamar da “criação recente” do Ministério do Planejamento. Ora, o tal ministério foi criado em 1962 e o primeiro ministro foi Celso Furtado, um ícone para parte da intelectualidade brasileira. Até aí, porém, tudo vai indo bem, pois a cultura de conhecer a história brasileira se perdeu com o tempo e o que hoje as pessoas conhecem de história do próprio país não vai além, mal e parcamente, do tempo de vida vivido dos quinze anos em diante, que antes disso ninguém quer saber de nada além de brincar, embora a maioria continue somente pensando nisso o resto da vida (e a cultura do entretenimento está aí para provar isso).

O problema maior é que ele reclamava de uma série de outras coisas, principalmente do serviço público, da burocracia etc. Tudo isso como se houvesse conserto. Ora, é engraçado perceber que as pessoas realmente acreditam que as instituições existem para funcionar de acordo com o que elas próprias afirmam ser “sua missão”. Para mim, isso corresponde a dizer que as pessoas acreditam em contos de fadas e aguardam esperançosas que, um dia, a Branca de Neve ou a Cinderela vai pular na frente delas e dizer que tudo mudou e que, a partir daquele momento, o mundo será “como deve ser”.

Aliás, essa história de “missão” é algo muito engraçado. Uma empresa de telefonia, por exemplo, pode dizer que sua “missão” é atender com qualidade o cliente, possibilitando que várias pessoas possam se comunicar e melhorando a vida delas. É, pode dizer isso. O que não se diz, porém, é que essa “missão” foi criada para figurar na Terra do Nunca, com seus Peters Pans e Sininhos (que agora virou Tinkerbell) de garoto e garota propaganda.

Missão de empresa é, em primeiríssimo lugar, lucrar. E, para isso, já ensinava o grande Karl Marx, que pode efetivamente ser criticado pelo resultado prático de sua proposição política, mas jamais pela valiosa análise que fez do capitalismo, a única possibilidade é tirando ou, pode-se dizer, em casos extremos, mas não raros, efetivamente roubando de seus trabalhadores e, é claro, de seus clientes. Em outros termos, temos observado que missão de empresa – embora não se possa generalizar, é óbvio – parece ser lucrar à custa de todos em volta, “colaboradores” (o novo eufemismo para empregados) e público em geral que cair na arapuca. Como já dissemos, não vamos generalizar, mas parece que a regra geral é essa mesmo.

Uso como exemplo as empresas de telefonia pois soube, ontem, de um caso exemplar e assustador: uma empresa que atende a telefonia da ANATEL, a Agência Nacional de Telecomunicações (criada para fiscalizar os serviços de telefonia) simplesmente superfaturava a conta em 70%! Olha, se eles fazem isso com a ANATEL, o que farão comigo e com você? A tunga só foi descoberta quando um funcionário conseguiu criar uma planilha para a fiscalização efetiva das contas de telefone da Agência. Ora, cá para nós, isso não se chamaria roubo em outras circunstâncias? Tenho certeza que sim e que, por muito menos, há pessoas mofando nas penitenciárias.

De modo que uso este espaço para alertar você de que não é saudável acreditar em contos de fadas, ficar imaginando como seria encontrar a Branca de Neve ou, quem sabe, ficar plantado diante da árvore de natal esperando a presença real de Papai Noel. Do mesmo modo, se você não é desses que vão tão longe na imaginação, é bom também desconfiar das “missões” que muitas empresas enunciam. Não passam de cortinas de fumaça para ocultar suas verdadeiras práticas que, pode acreditar, levariam você ao júri e, com boas chances, ao xilindró, caso tentasse fazer algo minimamente semelhante.

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