quarta-feira, 27 de abril de 2011

O quase anônimo Prudente de Morais

Este é Prudente de Morais, o primeiro presidente civil do Brasil
Todos deveríamos conhecer detalhadamente a história brasileira. Se tomarmos em conta a profusão de material de comunicação estadunidense, é possível até mesmo afirmar que sabemos mais da história deles do que da nossa. Figuras lendárias de George Washington ou Abraham Lincoln povoam nosso imaginário, enquanto Prudente de Morais ou Campos Sales são, entre nós, quase ilustres desconhecidos, a não ser por darem seus nomes a diversas ruas espalhadas pelo país.

Prudente foi o primeiro presidente civil do país e seu governo foi, como havia sido o de seu sucessores, os militares Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, cheio de convulsões e sobressaltos. No entanto, escolho aqui um episódio curioso, acontecido antes de sua posse, para ilustrar como eram as coisas naquele tempo. O quase anonimato de Prudente parece ter começado ali, muito embora no meio político nacional fosse um dos quadros mais conhecidos e representativos naquele momento.

A posse se daria no dia 15 de novembro de 1894 e, no dia 2, Prudente de Morais chegava ao Rio, então a Capital Federal, de trem. Desembarca na Estação Central – creio que a hoje chamada Central do Brasil – e ninguém, a não ser um amigo, o espera. Havia enfeites na estação, flores murchas, pois na véspera ocorrera o embarque de uma delegação de generais uruguaios. O primeiro presidente “paisano” chegava para a posse e nenhum político, nenhuma autoridade, nenhum popular o esperava.

Foi até o Hotel dos Estrangeiros, que ficava na Praça José de Alencar, no bairro do Flamengo, e se hospedou. Ao cair da noite, o capitão Saddock de Sá foi vê-lo em nome do presidente Floriano, desculpando-se pelo fato de não ter ido encontrá-lo ao descer do trem. Como no dia 1º havia sido feriado, Saddock não recebera as instruções devidas.

Até aí, apesar de ser curioso um presidente chegar quase anonimamente, tudo bem. O mais engraçado é que no dia da posse, não lhe enviaram sequer um fiacre, uma carruagem de aluguel, para buscá-lo. Ele teve que conseguir um no Largo do Machado, com um cocheiro mal vestido e dois cavalos esquálidos, para se deslocar até o Palácio dos Arcos, no Campo de Santana, local onde funcionava o Congresso Nacional.

Após a posse, não tinha como ir até o Palácio Itamarati, que se localiza na Rua Marechal Floriano. O representante do governo inglês deu carona a Prudente e, como não havia qualquer escolta, providenciaram um grupo de alunos do Colégio Militar.

Ao chegar ao Palácio, não encontrou ninguém. Somente depois de algum tempo, chega Cassiano do Nascimento, ministro do governo de Floriano para lhe dar posse. Aliás, por falar em Floriano Peixoto, é interessante saber que, logo ao chegar ao Rio de Janeiro, Prudente de Morais solicitou uma audiência com o presidente para conversarem sobre o país. Floriano alegou estar muito ocupado e prometeu marcar a entrevista para um momento mais oportuno. Esse momento jamais chegou. O marechal deixou o governo e faleceu sem se encontrar com o seu sucessor. 


Essa história é contada por Hélio Silva, na sua História da República Brasileira.

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