quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Viver a cidade


Há uns dias, resolvi perguntar a esmo, aqui e ali, sobre o que as pessoas entendem como uma cidade. Ouvi de tudo, ou quase tudo. Um me disse que é uma aglomeração humana urbanizada, ou seja, dotada de uma estrutura de obras que permite o suprimento de necessidades básicas a seus habitantes e garante sua sustentabilidade pela ação do comércio, indústrias, órgãos públicos, uma rede de serviços e tudo o mais.

Uma antropóloga me lembrou que para ser considerada cidade, uma vila precisa reunir pelo menos 20 mil almas e que a cultura é o imã que as congrega. Isso parece ser sensato. Lewis Mumford foi um sujeito que estudou a fundo as cidades, conhece tudo. Tanto que escreveu um livro de referência sobre o tema e começa logo, na primeira linha, afirmando que uma cidade é uma “máxima concentração do vigor e da cultura de uma comunidade”. Faz sentido.

O que define a forma de uma cidade, as construções, circulação e arranjos subterrâneos, bem como o tipo de atividade produtiva, são, sem qualquer dúvida, as ações, os hábitos e pensamentos dos que lá vivem. Isso sem falar das emoções, que têm um papel determinante na formação disso que chamamos de cultura.

Há um acervo grandioso de acontecimentos, vividos pelas pessoas que compartilham um mesmo espaço, e são os sentimentos e reflexões extraídos de cada pequena experiência em comum que dão forma à cidade. Isso é a cultura e é esse o espírito, que congregando em torno de si milhares de almas, dá vida a cada uma delas. Organiza-as, educa, gratifica e também pune. Determina a urbanidade, tanto formal quanto informal, que pode ser definida como a busca da absoluta civilidade, incluindo princípios de afabilidade e cortesia.

Fazer parte de uma cidade é compartilhar uma cultura, é ser civilizado. E você sabe o que significa isso? Significa que sua alma está comprometida com esse espírito integrador. Você o está alimentando e também o formando e reformando a cada ato. Essa, talvez, seja a maior beleza da cultura, bem como da vida urbana.

Todos os edifícios, pontes e monumentos, com sua imponência, não valem nada sem esse pequeno sopro de vida diário que se renova a cada instante, com a participação de cada um de nós, e se torna esse irresistível vendaval que inflama a vida. Todos os que somos levados nesse turbilhão, na realidade fazemos mais do que viver numa cidade. O certo mesmo é dizer que vivemos a cidade. Ela está em nós e apenas para nós tem sentido, afinal depende de nossos esforços para existir tal como é.

3 comentários:

  1. Concordo em gênero, número e grau...

    Parabéns pelo texto.

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  2. Bom dia! parabéns pelo texto. Você sabe de quem é a imagem(ou é sua?) desta cidade. Gostaria de obter a original para uma imagem que farei em minha casa. Como posso encontrar? Obrigado!
    Plínio
    plinio_bg@yahoo.com.br

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  3. Bom tarde! Parabéns pelo texto.Você sabe de quem é a imagem (ou é sua?) desta cidade.Eu gostaria de usar essa imagem para um trabalho na escola.Eu coloco os créditos. Vou deixar o meu número para contato.Obrigado! Henry celular:(11)96030-8882.

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