quinta-feira, 11 de abril de 2019

Entrar na cortina de fumaça do "nazismo de esquerda" é tolice e perda de tempo

A polêmica envolvendo a afirmação de que o Nazismo foi um movimento político de esquerda é desnecessária. Parte, de um lado, de um certo revisionismo histórico que não apresenta nada de novo a não ser situar o Nazismo do outro lado, o da esquerda, por conta de características pontuais. Esse revisionismo pretende demonizar a esquerda, mas joga na conta desta um sem número de significados difusos e confusos. É uma forma propagandística de tratar um assunto, nada mais do que isso. Dar atenção a esse assunto é pura perda de tempo.  

"Esquerda" e "Direita" são conceitos estabelecidos que têm origem na França, no tempo da revolução, quando a as reuniões de Estado se dividiam em partidários do poder do rei, à direita deste, ditos conservadores, e os partidários da revolução, os que queriam mudanças, à esquerda. Até hoje, os franceses têm a noção de que a direita é o lado da ordem e a esquerda é o do movimento, da mudança. Isso é algo posto e, salvo novidades no front acadêmico, nada há a mexer. Podem haver pequenas imprecisões nessas definições, mas, no frigir dos ovos, elas são válidas. 

Igualdade - Norberto Bobbio gastou provavelmente bastante tempo para fazer um estudo minucioso dos conceitos. No entanto, tudo indica que poucos o leram ou lêem. Não há porque, conhecendo seu estudo, recusá-lo, muito pelo contrário: é didático e exaustivo e chega a algumas definições básicas, muito importantes.

sábado, 6 de abril de 2019

O Leviatã é a base da lógica de Estado liberal

Certa vez ouvi um argumento que dizia o seguinte: Hobbes não pode ser considerado liberal, pois propôs o absolutismo estatal. O liberalismo, continuava o argumentador, é antiestatal, algo como um sistema de luta cujo inimigo é justamente o Estado, com suas regulamentações e intromissões no mercado e na vida de todos. O argumento é insustentável. 

Cabe lembrar que o Leviatã hobbesiano é formado e sustentado pelos homens e não é um império, um reino, mas um Estado. Não é um posse de um soberano imposto por hereditariedade, mas pela sua capacidade de governar e de impôr as regras necessárias para a boa convivência entre os homens que, se não fosse esse Estado, se matariam uns aos outros. O Estado existe, em tese, para isso e é essa a sua justificativa, tirar os homens do estado de natureza, que é de guerra perpétua, para colocá-los em uma condição social, no qual reina a paz, por um pacto. O motivo para a aceitação desse pacto é justamente a consciência de que sem o Estado ninguém estaria seguro. 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Filme tenta justificar golpe militar, mas o que consegue é causar sono


Sob a liderança de um presidente claramente despreparado
para o cargo, há gente que quer justificar o injustificável
Assisti parte do filme que faz uma justificativa do golpe militar de 1964, acho que "1964 - O Brasil entre armas e livros", e tenta nos convencer da inevitabilidade do golpe, que, em tese, deveria nos proteger de uma ditadura e, não se sabe o porquê, se transformou em uma ditadura de 21 anos, em que houve de tudo, menos a moralidade que se diz por aí ter havido. 

Trata-se de um artefato ideológico, como tantos outros, utilizados como propaganda pela direita e pela esquerda, torce alguns fatos, ressalta outros, que interessam aos produtores, e deixa de contar vários, como seria de se esperar. 

terça-feira, 26 de março de 2019

Governo ataca direitos básicos da pessoa ao propor extinguir órgãos de fiscalização profissional


Não é preciso muita imaginação para prever no que se tornará
o exercício profissional no Brasil sem os Conselhos Profissionais
Uma lição que estes tempos obtusos estão nos ensinando é o quanto o governo que se quer cada vez mais defensor da liberdade de circulação de capitais e de ações negociais, não tem o mesmo furor quando tem que defender o consumidor ou mesmo o ser humano. Algumas atitudes e propósitos desse governo podem causar males irreparáveis em todos os níveis, seja o da saúde ou de mais amplo espectro no controle da qualidade de produtos e serviços. 

O ataque que o governo brasileiro vem fazendo aos mecanismos de controle de produtos e serviços atesta isso. Fala-se em inviabilizar a fiscalização da qualidade de alimentos, por exemplo, e mesmo o controle da prática profissional em todos os níveis, ao extinguir o pagamento que todo profissional deve fazer anualmente ao seu órgão de classe. E quem está no comando reza pela cartilha liberal e compreende que isso é livre mercado, abomina todo tipo de controle e despreza a preocupação com a qualidade de produtos e serviços. Trata-se de absoluta loucura e, se quiser, é uma atitude que pode ser incluída entre os crimes de lesa-humanidade.  

Zumbis - Mas, o que fazer quando temos uma sociedade formada há mais de um século pela cultura de massa, agenciada subjetivamente por meios de comunicação e suas sempre fortes imagens, que se dizem valer mais do que mil palavras simplesmente para ocultar as palavras que as traduzem a priori, de forma padronizada e "natural"? De certo modo, o cidadão urbano contemporâneo é um zumbi, como o do romance 'A serpente e o arco-íris", de Wade Davis, não como esses que aparecem em séries televisivas caçando sangue e um tanto ridículos na sua exgerada aparência horrorosa. 

Na lenda dos zumbis, estudada por Davis no Haiti, o zumbi é alguém que teve sua alma roubada por um feitiço e que fica capturado em um estado de purgatório perpétuo e trabalha como escravo em plantações. Ora, ponha-se no zumbi um terno ou um tailler, um uniforme ou uma roupa esportiva, dependendo do caso, e teremos esses e essas que são os escravos contemporâneos, que trabalham não em plantações, mas nas cidades. Mas, o pior não é isso: esses escravos zumbis se crêem livres e senhores de si, conforme lhes murmura a lógica um tanto tola da subjetividade liberal. 

sexta-feira, 22 de março de 2019

É o novo...

O Liberalismo é o Capitalismo em essência, tanto discursiva prática, embora idealista, quanto teleológica, ao que tudo indica, se tomarmos em conta as boas intenções que, junto às más constatáveis, certamente existem. Aparentemente, jamais foi adotado ipsis litteris, ou seja, de forma pura e essencial, o que é compreensível, pois o mundo real não é o das ideias. Muitos liberais argumentam que, por jamais ter sido aplicado em essência, digamos completamente, o ideário liberal é novo e inédito e deve ser aplicado como deve ser. Por isso o partido que defendeu de forma clara e pungente esse ideário nas últimas eleições brasileiras ganhou o nome de "Novo". 

Esse argumento me parece obtuso, pois o Liberalismo foi a lógica econômica e política do Capitalismo em todas as suas fases, que, aliás, começam exatamente com o Liberalismo. O que se vê, desde então, são facetas da mesma conversa, que é a liberal. Mesmo quando o keynesianismo robusteceu o Estado com um controle rígido da circulação de capitais e, assim, distribuiu renda possibilitando que o Capitalismo tivesse a sua era de ouro, estava protegendo os princípios básicos do Liberalismo, que dizem respeito à necessidade do Capitalismo continuar equilibrado. Keynes, ao propor as regulamentações e os Estados ao segui-las, não estavam fazendo nada mais do que mantendo o capitalismo vivo, depois das desgraças de 1929 e das guerras, que também deram significativa contribuição para essa estratégia de sobrevivência. 

Outra contraposição importante ao argumento da "novidade" de um discurso velho é a de que trata-se de uma proposição idealista e absolutamente inaplicável, salvo se houver condições absolutamente especiais, isto é, se a realidade se torcer a favor do idealismo. Como demonstrou Polanyi, o livre mercado aplicado "como deve ser" levaria inevitavelmente à desgraça, à dissolução de importantes laços sociais e mesmo ao extermínio de boa parte da população. 

Neste momento em que cada vez mais ouvimos o discurso liberal se impor e em que ocorre exatamente a dissolução de importantes laços sociais e o extermínio de boa parte da população, seja pela doença ou pela bala, podemos ter certeza de que Polanyi estava certo. O resultado é o darwinismo social ou a criação de novos planos de proteção, como a speenhanland law inglesa, que, segundo esse autor, era claramente nociva à economia, mas salvou milhares da fome e da morte. Ou mais bolsas família, quem sabe, que, aliás, são uma ideia liberal, essencialmente. 

E, escreva, isso vai piorar muito. Tudo indica que é o novo. 

quarta-feira, 6 de março de 2019

Pelo que escreveu após o carnaval, Rodrigo Constantino mostra que se parece demais com os socialistas que abomina


No desfile da campeã Estação Primeira de
Mangueira, Constantino só viu os horrores do
socialismo - talvez para não ver os seus
Falácia é falsidade. Uma falácia lógica ou argumentativa é uma falsidade posta em uma ordem que tenta ser lógica, ou ter lógica, mas que se sustenta basicamente na aparência. Os antigos atenienses chamavam isso de sofisma e essa falsidade foi um dos alvos dos ataques de Sócrates e Platão e outros. Durante a história humana, as falácias argumentativas andaram lado a lado com a verdade, usualmente tentando ocultar esta por trás de uma lógica falsificada na medida em que se sustenta em si mesma, sem base real. No texto assinado por Rodrigo Constantino e publicado no dia de hoje no sítio da Gazeta do Povo, intitulado "Carnaval do lacre: socialistas celebram Marielle com dinheiro do crime e sambam sobre seu cadáver", há bons exemplos de falácias argumentativas. Na verdade, o texto inteiro é uma coleção delas. Por mais que eu admita que se possa ou deva criticar aqueles que no texto estão referidos como "socialistas", percebo que o articulista merece as mesmas críticas. 

sábado, 2 de março de 2019

Hobbes e Rousseau, versões opostas para o mesmo assunto


Thomas Hobbes
Thomas Hobbes pôs a pedra fundamental sobre a qual se ergueu o edifício liberal que hoje vemos discursivamente forte, entranhado nos governos democráticos. Foi ele que melhor compreendeu as aspirações burguesas de um Estado forte a seu favor. Inglês, estava inserido na grande revolução da burguesia, leia-se os comerciantes diversos, cada vez mais fortes e coesos – algo próximo daqueles que hoje são chamados de “empresários”, professam a liberdade, o empreendedorismo e a meritocracia, mas nem sempre fazem o que pregam. A partir daí, Hobbes formulou uma noção precisa da natureza humana, conforme compreendida e “naturalmente” pensada pela classe burguesa, ascendente e profundamente prática – pouco instruída ou elevada culturalmente, mas objetiva e, é claro, pragmática.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Vale tudo no mundo da comunicação, mas com isenção

Empresas precisam normatizar as ações de seus empregados. Para isso, instituem códigos e regras escritas e não escritas. As normas não escritas são as mais graves e as que mais “pegam”, isto é, as que efetivamente têm força. Nem sempre as que são escritas, logo oficiais, são cumpridas o tempo todo, mas, se estão escritas, deveriam ser, ao menos em discurso.

No caso das empresas de jornalismo, as normas visam não exatamente proteger o empregado, mas a reputação da empresa. A única proteção que essas normas possibilitam para o empregado, que alguns cínicos chamam de “colaborador”, é a manutenção do emprego, que alguns insatisfeitos chamam “escravidão (mal) remunerada”. Se o “colaborador” não colaborar, pelo menos no que diz respeito ás normas, fica desprotegido no olho da rua.

A regra é clara como a luz dos out-doors
Newsletter do Comunique-se, um portal de comunicação, está informando que um empresário do setor assinou carta anunciando regras para a atuação dos jornalistas da casa nas redes sociais.

Entre as normas, estão as seguintes determinações:

- O jornalista tem a vida pública relacionada ao veículo para o qual trabalha. Se tal atividade manchar a sua reputação de isenção manchará também a reputação do veículo. Isso não é admissível, uma vez que a isenção é o principal pilar do jornalismo;
A perda de reputação, quando não é evidente, deve ser analisada pela direção de redação e pelo conselho editorial do Grupo;
No WhatsApp, em que há mais controle sobre o acesso ao conteúdo, o jornalista tem o direito de discutir o que bem entender com parentes e amigos de confiança;
A atuação do jornalista nas redes sociais não pode comprometer a percepção de isenção do Grupo;
O jornalista não deve se pôr como parte do debate político e ideológico;
O jornalista deve evitar a percepção de que faz publicidade ao citar ou se associar a nome de hotéis, marcas, empresas, restaurantes, produtos, companhias aéreas etc.;
O Grupo estimula o uso das redes sociais pelos jornalistas como valioso instrumento para se aproximar de seu público, ampliá-lo, reforçar a imagem de credibilidade de que já desfrutam, divulgar os seus conteúdos, encontrar notícias, fazer fontes;
Os jornalistas do Grupo devem sempre priorizar os seus veículos na divulgação de notícias;
O jornalista do Grupo, sem exceção, não pode, por óbvio, criticar colegas de suas redações ou de redações de competidores nas redes sociais.

Na carta, o empresário afirma que as redes sociais têm um “lado sombrio” e ““Podem ser usadas para manipular grupos, disseminar boatos e mentiras com fins antidemocráticos e permitir que a intimidade das pessoas seja clandestinamente conhecida”, segundo o Comunique-se. No entanto, apesar do alerta crítico, o poderoso empresário do "quarto poder" escreve que o seu grupo é um entusiasta do potencial positivo das redes, sempre segundo informações do site de comunicação citado.


A compra e venda se torna cada vez mais a regra do jogo nos veículos
que se dizem isentos, imparciais, objetivos e democráticos. Quando
o valor do dinheiro suplanta os valores éticos, o que vale é o preço.
   
Isenção no dos outros é refresco
O mais interessante é o ícone “isenção”, historicamente exaltado por algumas empresas de comunicação e enfaticamente referido pelo bambambam em questão. Para ele, ninguém deve questionar a isenção do jornalista, principalmente a do jornalista do grupo que dirige.

Engraçado: isenção é exatamente aquilo que - na opinião popular e mesmo na opinião de boa parte dos profissionais de comunicação – os veículos do jornalismo chamado de "grande mídia" não têm, mas querem, a todo custo, nos convencer de que têm. Isso significa que, na prática, essas empresas não enganam a ninguém. Se há os que acreditam nisso, é por conveniência.

Nesses termos, somos tentados a afirmar que, para a empresa em questão, e provavelmente para muitas outras do mesmo ramo, aparentar isenção é uma arma na conquista de mercado, mas praticá-la é uma exceção que, provavelmente, faria com que se perdesse no mesmo mercado, já que os anunciantes poderiam não gostar de perceber que seus interesses e seus produtos são tratados com isenção pelo veículo que sustentam com suas verbas de publicidade.

Melhor crer na isenção, na bondade humana e em Papai Noel, por que não? 
Claro que estamos somente tentados a afirmar isso, mas quem sabe não estamos enganados? Tudo indica que não, mas não custa acreditar na bondade humana, na isenção jornalística, em histórias da carochinha e, por fim, em Papai Noel.

Por que não, afinal? O mundo como ele é nos aparenta muito feio e cruel, então umas pitadas de fantasia não devem nos abalar.

Tudo isso com total e completa isenção, é claro.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Por motivos burocráticos, Ministério da Saúde descredencia Saúde da Família em milhares de municípios e população é quem sofre as consequências


Ministério da Saúde (MS) descredencia Equipes de Saúde da Família por questões burocráticas e avaliação é a de que 15 milhões de brasileiros podem ficar sem assistência. O motivo do descredenciamento foi o do não cumprimento do prazo estabelecido pela Política Nacional de Atenção Básica para o envio de informações, ou, conforme o Art. 1 da Portaria nº 1.717, de 12 de junho de 2018, pelo “descumprimento do prazo estabelecido na Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para cadastramento no Sistema Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (SCNES)”.

O fato é que é histórica a dificuldade dos municípios em cumprir as exigências de alimentação dos sistemas do MS, pois falta pessoal capacitado para tal e o MS, que antes atendia às demandas por meio do Datasus, hoje não mais se compromete com isso, em boa parte para economizar. A opinião corrente, inclusive no MS, é que, na prática, é uma punição não para as administrações municipais, mas para a população atendida.

Aproximadamente 60% da população assistida pelo SUS se beneficia desse recurso que foi extinto com o descredenciamento. Nas ruas, quem soube do fato não tem dúvida em afirmar que é mais um ato impopular do governo mais odiado de toda a história brasileira, que chegou ao poder por conta de um golpe político e amarga índices de popularidade baixos como nunca se viu antes.

Correto sob o ponto de vista administrativo ou não, o fato é que, quem pagará esse pato não será a Fiesp (com seu ridículo patinho amarelo das manifestações golpistas), não será o empreendedor afogado em impostos, não será o atual presidente, popular como somente Judas o foi, muito menos os seus ministros "cara-de-pau". Também não serão os manifestoches, que ajudaram a levar o atual governo golpista ao poder, nem Tite, nem Neymar. Quem pagará, com a saúde é a população desassistida, como costuma acontecer, lamentavelmente.

O “alarmante” uso de agrotóxicos no Brasil atinge 70% dos alimentos


Marina Rossi | São Paulo 30 ABR 2015 

Mais da metade das substâncias usadas aqui é proibida em países da UE e nos EUA

Imagine tomar um galão de cinco litros de veneno a cada ano. É o que os brasileiros consomem de agrotóxico anualmente, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). "Os dados sobre o consumo dessas substâncias no Brasil são alarmantes", disse Karen Friedrich, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos. Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados divulgados pela Anvisa. Segundo o Dossiê Abrasco - um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, publicado nesta terça-feira no Rio de Janeiro, 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos. Desses, segundo a Anvisa, 28% contêm substâncias não autorizadas. "Isso sem contar os alimentos processados, que são feitos a partir de grãos geneticamente modificados e cheios dessas substâncias químicas", diz Friederich. De acordo com ela, mais da metade dos agrotóxicos usados no Brasil hoje são banidos em países da União Europeia e nos Estados Unidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre os países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam, anualmente, 70.000 intoxicações agudas e crônicas.